Esta circular da Comissão de Censura de Coimbra de 26 de Fevereiro de 1972,  enviada ao Mar Alto, mostra a amplitude da acção da censura, neste caso sobre anúncios publicitários “tendentes à captação de capitais para aplicação em  investimentos imobiliários”.

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Dossier Mar Alto (1ª Série). Correspondência com a Comissão de Censura (Jan. 1967 a 24 de Abril de 1974).

Numa nota manuscrita junta a este dossier Joaquim Barros de Sousa anota que este dossier lhe foi entregue por Sousa Cardoso, quando do início da 2ª Série do jornal em 1977. O dossier retrata o tipo de relações que um jornal local (Figueira da Foz) mantinha com a censura, a Comissão de Exame Prévio, neste caso a delegação de Coimbra, o tipo de cortes realizados e o modo como o próprio jornal reflecte as mudanças sociais e políticas dos anos sessenta e início da década de setenta. Um exemplo do reflexo dessas mudanças encontra-se nesta página do Suplemento “Onda Juvenil” que era coordenado pelo então estudante de Coimbra José De Matos-Cruz

Os temas dos artigos, Bob Dylan, Beat Generation, Angry Young Men, e a referência ao “conflito de gerações”, motivaram uma atenção especial da censura. O artigo cortado integralmente é de Agostinho Chaves Gonçalves que aparece igualmente no ranking dos cortes no Notícias da Amadora.

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No dossier sobre o III Congresso da Oposição encontram-se vários documentos sobre a repressão policial da reunião. Publicam-se aqui dois desses documentos, o primeiro, respeitante ao controlo do trânsito automóvel na região de Aveiro e o segundo a uma apreensão de documentos impressos para o Congresso.

1. Esta notificação  definia o trajecto obrigatório a seguir por uma viatura e a obrigação de informação a um posto policial. Nos dias do Congresso realizou-se uma grande operação policial envolvendo vários corpos policiais para dificultar o acesso a Aveiro e para intimidar os automobilistas que entendessem dirigir-se à cidade.

2. Auto de apreensão pela PSP na Figueira da Foz de impressos realizados pelo Núcleo de Apoio local ao Congresso da Oposição. Apreensões deste tipo realizaram-se por todo o país.

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O  dr. Joaquim Manuel Barros de Sousa teve a gentileza de oferecer para o meu arquivo todo um conjunto de documentos, incluindo manuscritos, panfletos, materiais gráficos, assim como periódicos e livros, que cobrem vários aspectos da sua actividade como oposicionista de antes do 25 de Abril e da sua vida pública na democracia  (como governante, deputado, autarca, dirigente associativo, autor, etc.). ligada a áreas da política, do jornalismo, educação, desporto, e à sua terra, a Figueira da Foz. Desse conjunto se fará aqui um inventário e se dará notícia e publicação dos documentos com mais interesse para a nossa história contemporânea, em particular da oposição democrática anterior ao 25 de Abril. Juntamente com o inventário se publicará  uma sua biografia mais detalhada.

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Junto se publicam alguns dos materiais gráficos existentes num extenso dossier sobre o III Congresso da Oposição Democrática, ocorrido em Aveiro entre 4 e 8 de Abril de 1973. Nesse dossier encontra-se documentação inédita sobre o Congresso, originais de intervenções, documentos do núcleo da Figueira da Foz e materiais sobre a repressão da PIDE-DGS. Os materiais gráficos aqui reproduzidos tinham como objectivo essencial a recolha de fundos pela sua venda. Trata-se de postais e de percursores dos autocolantes. No caso destes últimos, a sua função era muito restrita, porque seria impossível o seu uso no vestuário numa altura em que era proibido a manifestação pública de preferências políticas, muito menos da oposição.

Muitas vezes digo aos meus amigos que as peripécias que passei e passo para escrever a biografia de Álvaro Cunhal davam um livro à parte, com todos os ingredientes de um romance entre o Le Carré e uma coisa mais pícara, ou seja, uma combinação quase impossível e muito improvável. Desde início que sabia que a iniciativa seria dificultada pelo próprio Álvaro Cunhal e que este colocaria todos os obstáculos possíveis, ele e o PCP. Sabia também que escrevia no fio de uma navalha muito especial, a de estar a biografar alguém que estava vivo, que era muito hostil à iniciativa (e ao autor) e que podia com muita facilidade desclassificar a seriedade do trabalho. No fundo, a vida era dele e bastava Cunhal dizer que meia dúzia de afirmações eram erradas ou “falsas” para criar uma imagem de falta de rigor. Esta possibilidade era tanto mais real quanto eu escrevia sobre uma história em grande parte por contar, sem fontes secundárias, com fontes primárias de muito complexa interpretação (como as fontes de polícia, ou os arquivos soviéticos), mas em muitos casos sem fontes nenhumas e com escassíssimos testemunhos. Cunhal nunca o fez e soube mais tarde por testemunhos de pessoas que o contactaram nos últimos anos da sua vida, que ele elogiou a biografia que nunca desejara que fosse escrita.

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Vitor Dias, estudante associativo, oposicionista e militante comunista escreveu no seu blogue  O Tempo das Cerejas umas RECORDAÇÔES DAS “ELEIÇÕES DE 1973

Recordações das “eleições” de 1973 ( 1 ) Apresentação, 29-09-2008

Recordações das “eleições” de 1973 (2) Na boca do lobo, 30-09-2008

Recordações das “eleições” de 1973 (3) Sintra – o primeiro embate, 01-10-2008

Recordações das “eleições” de 1973 (4) A sessão das Belas-Artes, 04-10-2008

Recordações das “eleições” de 1973 ( 5 ) O cartaz absolutamente proibido, 09-10-2008

Recordações das “eleições” de 1973 ( 6 ) O país era (e é) pequeno,
17-10-2008

Recordações das “eleições” de 1973 ( 7 ) A inesquecível atitude do Prof. Henrique de Barros,  27-10-2008

Recordações das “eleições” de 1973 ( 8 e final) ) Os números da fraude e uma breve conclusão, 28-10-2008

FOTOS DE ABRIL – MAIO 1974 NO PORTO (2)

Militares tentam impedir o assalto às instalações da PIDE-DGS no Porto a 26 de Abril de 1974.

Esta fotografia tem vários aspectos muito interessantes. Ela revela a composição predominantemente juvenil (e estudantil) da multidão que pretendia assaltar a sede da polícia política. Para quem conheça o movimento estudantil do Porto muitas faces de activistas desse movimento são reconhecíveis, com predominância dos grupos de extrema-esquerda, embora haja também militantes do PCP. Poucas pessoas mais velhas aparecem na foto. Muita gente sorri, há uma vaga de contentamento nas faces de quase todos. À revelia da multidão, a sede da PIDE – DGS foi entregue pelos militares a conhecidos quadros do PCP, a começar por Virgínia Moura, que criaram enormes dificuldades a todos os que não eram do PCP em aceder aos seus ficheiros e bens apreendidos, tornando-se proprietários do edifício e dos arquivos.

FOTOS DE ABRIL – MAIO 1974 NO PORTO

Algumas fotos do período imediatamente posterior ao 25 de Abril no Porto, inéditas ou muito pouco conhecidas. Estas fotografias foram enviadas por militantes do PCP(ML) e da UEC(ML) para conhecimento dos quadros que permaneciam na clandestinidade, em conjunto com relatórios de “informações” que permanecem uma importante fonte inédita sobre os eventos de 1974-5.

Carro de um agente da PIDE (ou da PIDE) destruído pelos populares no cerco das instalações da PIDE – DGS no Porto. Pude assistir à destruição de um outro carro, que em poucos minutos ficou reduzido a um aglomerado de chapas com cerca de um metro de espessura, após dezenas de pessoas lhe terem saltado em cima esmagando-o como se fosse uma prensa. Os restos desse carro foram passeados como um troféu e deitados ao Douro.

O primeiro Primeiro de Maio na Avenida dos Aliados no Porto.

Fonte: Biblioteca Museu da República e da Resistência
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Dia 9 (Terça) 18.30h – Ciclo «50 anos de Revolução em Cuba: balanço e perspectivas» – Projecção de filme «Viva Cuba»

Dia 12 (Sexta) 18.30h – Ciclo: «50 anos de Revolução em Cuba: balanço e perspectivas» – Apresentação do livro «8 dias nos 80 de Fidel» de Leandro Vale

Dia 16 (Terça) 18.30h – Ciclo: «A Batalha: 90 Anos de Imprensa Sindicalista» – «Jornalismo Militante e mass media» Por José Pedro Castanheira

Dia 18 (Quinta) 18.30h – Projecção do filme sobre Humberto Delgado «O General Sem Medo» Realização de António Cunha

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