Dossier Mar Alto (1ª Série). Correspondência com a Comissão de Censura (Jan. 1967 a 24 de Abril de 1974).

Numa nota manuscrita junta a este dossier Joaquim Barros de Sousa anota que este dossier lhe foi entregue por Sousa Cardoso, quando do início da 2ª Série do jornal em 1977. O dossier retrata o tipo de relações que um jornal local (Figueira da Foz) mantinha com a censura, a Comissão de Exame Prévio, neste caso a delegação de Coimbra, o tipo de cortes realizados e o modo como o próprio jornal reflecte as mudanças sociais e políticas dos anos sessenta e início da década de setenta. Um exemplo do reflexo dessas mudanças encontra-se nesta página do Suplemento “Onda Juvenil” que era coordenado pelo então estudante de Coimbra José De Matos-Cruz

Os temas dos artigos, Bob Dylan, Beat Generation, Angry Young Men, e a referência ao “conflito de gerações”, motivaram uma atenção especial da censura. O artigo cortado integralmente é de Agostinho Chaves Gonçalves que aparece igualmente no ranking dos cortes no Notícias da Amadora.

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No dossier sobre o III Congresso da Oposição encontram-se vários documentos sobre a repressão policial da reunião. Publicam-se aqui dois desses documentos, o primeiro, respeitante ao controlo do trânsito automóvel na região de Aveiro e o segundo a uma apreensão de documentos impressos para o Congresso.

1. Esta notificação  definia o trajecto obrigatório a seguir por uma viatura e a obrigação de informação a um posto policial. Nos dias do Congresso realizou-se uma grande operação policial envolvendo vários corpos policiais para dificultar o acesso a Aveiro e para intimidar os automobilistas que entendessem dirigir-se à cidade.

2. Auto de apreensão pela PSP na Figueira da Foz de impressos realizados pelo Núcleo de Apoio local ao Congresso da Oposição. Apreensões deste tipo realizaram-se por todo o país.

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Vitor Dias, estudante associativo, oposicionista e militante comunista escreveu no seu blogue  O Tempo das Cerejas umas RECORDAÇÔES DAS “ELEIÇÕES DE 1973

Recordações das “eleições” de 1973 ( 1 ) Apresentação, 29-09-2008

Recordações das “eleições” de 1973 (2) Na boca do lobo, 30-09-2008

Recordações das “eleições” de 1973 (3) Sintra – o primeiro embate, 01-10-2008

Recordações das “eleições” de 1973 (4) A sessão das Belas-Artes, 04-10-2008

Recordações das “eleições” de 1973 ( 5 ) O cartaz absolutamente proibido, 09-10-2008

Recordações das “eleições” de 1973 ( 6 ) O país era (e é) pequeno,
17-10-2008

Recordações das “eleições” de 1973 ( 7 ) A inesquecível atitude do Prof. Henrique de Barros,  27-10-2008

Recordações das “eleições” de 1973 ( 8 e final) ) Os números da fraude e uma breve conclusão, 28-10-2008

FOTOS DE ABRIL – MAIO 1974 NO PORTO (2)

Militares tentam impedir o assalto às instalações da PIDE-DGS no Porto a 26 de Abril de 1974.

Esta fotografia tem vários aspectos muito interessantes. Ela revela a composição predominantemente juvenil (e estudantil) da multidão que pretendia assaltar a sede da polícia política. Para quem conheça o movimento estudantil do Porto muitas faces de activistas desse movimento são reconhecíveis, com predominância dos grupos de extrema-esquerda, embora haja também militantes do PCP. Poucas pessoas mais velhas aparecem na foto. Muita gente sorri, há uma vaga de contentamento nas faces de quase todos. À revelia da multidão, a sede da PIDE – DGS foi entregue pelos militares a conhecidos quadros do PCP, a começar por Virgínia Moura, que criaram enormes dificuldades a todos os que não eram do PCP em aceder aos seus ficheiros e bens apreendidos, tornando-se proprietários do edifício e dos arquivos.

FOTOS DE ABRIL – MAIO 1974 NO PORTO

Algumas fotos do período imediatamente posterior ao 25 de Abril no Porto, inéditas ou muito pouco conhecidas. Estas fotografias foram enviadas por militantes do PCP(ML) e da UEC(ML) para conhecimento dos quadros que permaneciam na clandestinidade, em conjunto com relatórios de “informações” que permanecem uma importante fonte inédita sobre os eventos de 1974-5.

Carro de um agente da PIDE (ou da PIDE) destruído pelos populares no cerco das instalações da PIDE – DGS no Porto. Pude assistir à destruição de um outro carro, que em poucos minutos ficou reduzido a um aglomerado de chapas com cerca de um metro de espessura, após dezenas de pessoas lhe terem saltado em cima esmagando-o como se fosse uma prensa. Os restos desse carro foram passeados como um troféu e deitados ao Douro.

O primeiro Primeiro de Maio na Avenida dos Aliados no Porto.

Fonte: Biblioteca Museu da República e da Resistência
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Dia 9 (Terça) 18.30h – Ciclo «50 anos de Revolução em Cuba: balanço e perspectivas» – Projecção de filme «Viva Cuba»

Dia 12 (Sexta) 18.30h – Ciclo: «50 anos de Revolução em Cuba: balanço e perspectivas» – Apresentação do livro «8 dias nos 80 de Fidel» de Leandro Vale

Dia 16 (Terça) 18.30h – Ciclo: «A Batalha: 90 Anos de Imprensa Sindicalista» – «Jornalismo Militante e mass media» Por José Pedro Castanheira

Dia 18 (Quinta) 18.30h – Projecção do filme sobre Humberto Delgado «O General Sem Medo» Realização de António Cunha

Biblioteca Museu República e Resistência
Rua Alberto de Sousa, nº 10 A
Telf.: 217802760   Fax.: 217802788
bib.republica@cm-lisboa.pt
http://republicaresistencia.cm-lisboa.pt

F: Museu do Neo-realismo

04-12-2008-5Ilustração & Literatura Neo-realista
Exposição antológica
Curadoria: David Santos e Luisa Duarte Santos
19 de Julho de 2008 a 25 de Janeiro de 2009

Um dos grandes desígnios do movimento neo-realista consistia em desenvolver uma arte de valor e intervenção social, empenhada acima de tudo, no imediato pós-guerra, na democratização do sistema político e na transformação das condições de vida dos portugueses. Se, tal como defendera Júlio Pomar nesses anos, “tanto os interesses imediatos, como os objectivos gerais dos artistas agrupados em torno do novo realismo, [visavam] a mais ampla e socialmente proveitosa utilização da arte pelas massas”, então, pela sua maior projecção social ligada ao mercado editorial, o livro e os periódicos culturais significaram para o neo-realismo visual português uma espécie de meio privilegiado, onde mais facilmente se podia apresentar o desenvolvimento desse trabalho de ilustração que teve à época uma produção profícua e bastante decisiva na divulgação da nova corrente estética, com destaque para artistas como Júlio Pomar, Manuel Ribeiro de Pavia, Victor Palla, Cipriano Dourado, Lima de Freitas, Alice Jorge, Maria Keil ou Rogério Ribeiro.
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