Na sequência desta nota acrescentam-se mais informações sobre as comemorações do centenário do dirigente do PCP José Gregório centradas na sua terra natal da Marinha Grande:

– o PCP publicou um documento foto-biográfico sobre a vida de José Gregório que contém algumas reproduções de materiais inéditos, algumas fotografias de juventude, fotos da sua estadia na Checoslováquia (ver foto) e um original manuscrito de uma saudação do PCP a um Congresso do PC checo. No seu conjunto, o texto avança muito pouco no que já se sabe sobre o papel de Gregório, é omisso em relação a muitos aspectos da sua acção também já conhecidos, e nada nos diz sobre a sua actuação desde 1956, nas “importantes tarefas do Partido nomeadamente no quadro das suas relações internacionais“.

placa evocativa do centenário na Marinha Grande.

intervenção de João Dias Coelho, da Comissão Política do PCP, na inauguração da exposição evocativa do centénário do nascimento de José Gregório, no Museu do Vidro da Marinha Grande.

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EDITORAS COMUNISTAS DO PORTO (1930-1)

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Beneficiando da menor repressão às actividades comunistas no Porto do que em Lisboa, apareceram na cidade duas “editoras” que publicaram livros de carácter marxista e pró-soviético, no início dos anos trinta. Uma, “Edições Era Nova”, sediada na Avenida dos Aliados, 156-8, publica o livro de M. Sherwood, As Mentiras Imperialistas ; Uma Cruzada Contra a Rússia, 1930, em versão portuguesa de Sousa Martins e Artur Roriz. A outra editora, “Editorial Moutinho”, pertencia a José Moutinho, militante comunista portuense. Moutinho, que tinha como profissão empregado de escritório, era membro do PCP desde pelo menos 1925, tendo tido vários cargos na estrutura comunista, membro do Comité Regional do Norte (1926), e da organização do Socorro Vermelho. Era igualmente activista sindical na União dos Empregados do Comércio do Porto. Foi redactor da Bandeira Vermelha (1925) e director de Resistência (1929). Em 1926 foi um dos delegados do Porto ao II Congresso do PCP. Posteriormente, e segundo testemunho de José da Silva, afastou-se da actividade política.
A Editorial Moutinho publicou uma das primeiras edições portuguesas do Manifesto Comunista, Porto, 1931, precedida da seguinte nota:

“EDITORIAL MOUTINHO apresenta o seu primeiro livro, Manifesto Comunista, obra formidável de extraordinária visão poética, escrita em 1848 por MARX e ENGELS.
Toda a doutrinação comunista tem por base esta importante obra, indispensável a todos os que desejem conhecer a sério as razões fundamentais do marxismo, como ponto de partida para um estudo completo sabre essa doutrina.
”

Estas “editoras” desapareceram logo a seguir a estas publicações.

LIVRO SOBRE AS “COMPANHEIRAS” CLANDESTINAS

Foi publicado um novo livro de Ana Barradas sobre as “companheiras” das casas do partido. Lê-se no texto da contra-capa: «As mulheres das casas ilegais não assumiam apenas uma identidade falsa, tinham de construir uma ficção em volta de si próprias e transformar-se aos olhos dos de fora em algo que não eram. Quando uma casa era assaltada pela polícia e não se podia já evitar a sua queda, a “amiga da casa” tinha duas tarefas muito específicas a realizar: queimar apontamentos, notas, imprensa partidária e, se possível, proteger a fuga do companheiro, deixando-se apanhar em seu lugar para ganhar tempo e desviar a atenção dos agentes.»

Segue o índice :
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