UM DISCURSO ANTI-COMUNISTA NA ASSEMBLEIA NACIONAL EM 1959

O discurso que reproduzimos a seguir, de autoria de Andr Navarro, constitui uma exaustiva anlise da histria e poltica do PCP, vista pelos olhos de um responsvel do Estado Novo. Navarro foi deputado, governante e dirigente da Legio Portuguesa e nesta ltima qualidade tinha acesso s informaes “histricas” da PIDE e da Legio, que utiliza no seu discurso.

O discurso encontra-se no endereo da Assembleia da Repblica de onde retiramos o texto corrigindo alguns dos erros de ortografia e de datao mais importantes.

Dirio das Sesses da Assembleia Nacional, VII Legislatura 114, 2/6/1959
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Em vsperas do 25 de Abril, o membro do CC do PCP Pedro Soares encontrava-se em Itlia, onde o PCI mantinha um aparelho de apoio ao PCP e onde uma srie de actividades do partido estavam concentradas. No mbito dessas actividades, o PCP tinha preparado a ida a Roma de uma delegao de sindicalistas que deveria integrar militantes catlicos. Dessa delegao fariam parte frei Bento Domingues e Lusa Teotnio Pereira, actuando Manuel Braga da Cruz como carteiro desta correspondncia clandestina (A quem agradeo a cedncia dos originais.)

As cartas so escritas em linguagem figurada, disfarando as aces clandestinas numa vulgar combinao de viagem. O 25 de Abril inviabilizou a viagem prevista para Maio.
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POESIA CONTRA A DITADURA

No Histria e Cincia , que tem publicado muita informao bibliogrfica, sumrios e notas sobre matrias de histria contempornea, est reproduzida uma srie de poemas baseados na histria, que inclui essencialmente poemas de oposio. Cito da nota introdutria :

“A poesia foi em Portugal, como em muitos outros stios, uma arma inequvoca e poderosssima de actuao ou de pronunciao contra o regime ditatorial. Como o foi tambm a prosa, donde se destaca aquela inserida na denominada “Literatura Neo-Realista”.
Por agora falemos s de poesia, chamando a ateno, em estilo de introduo, para aquela que foi alguma da produo de alguns dos nossos poetas. O Estado Novo foi o visado. As polticas repressivas e os seus agentes, foram os alvos particulares. As condies de vida, a falta de liberdade e a luta do povo, os referenciados. O desejo de mudana, uma constante. Porque no mbito da Histria, a vertente da Cultura, reveste especial importncia para a compreenso de uma totalidade mais alargada, sendo tambm o seu reflexo, deixamos ento umas breves referncias, susceptveis de permanente complementar e enriquecimento
.”

Lista de poemas reproduzidos:

Antnio Gedeo – “Enquanto”

Sidnio Muralha – “Soneto imperfeito da caminhada perfeita”

Joo Apolinrio – “ preciso avisar…”

Jos Carlos Ary dos Santos – “Soneto escrito na morte de todos os antifascistas assassinados pela PIDE”

– “No passam mais”

Mrio Dionsio – “Elegia ao companheiro morto”

Jorge de Sena – “A cor da liberdade”

Miguel Torga – “No passaro”

Maria Teresa Horta – “Mulher resistente”

Papiniano Carlos – “Cano”

Sophia de Mello Breyner Andresen – “Catarina Eufmia”

Jos Gomes Ferreira – “No trairei”

Jaime Corteso – Romance do Homem da Boca Fechada

– Quem esse homem sombrio
Duro rosto, claro olhar,
Que cerra os dentes e a boca
Como quem no quer falar?
– Esse o Jaime Rebelo,
Pescador, homem do mar,
Se quisesse abrir a boca,
Tinha muito que contar.

Ora ouvireis, camaradas,
Uma histria de pasmar.

Passava j de ano e dia
E outro vinha de passar,
E o Rebelo no cansava
De dar guerra ao Salazar.
De dia tinha o mar alto,
De noite, luta bravia,
Pois s ama a Liberdade,
Quem d guerra tirania.
Passava j de ano e dia…
Mas um dia, por traio,
Caiu nas mos dos esbirros
E foi levado priso.

Algemas de ao nos pulsos,
V de insultos ao entrar,
Palavra puxa palavra,
Comearam de falar
– Quanto sabes, seja a bem,
Seja a mal, hs de cont-lo,
– No sou traidor, nem perjuro;
Sou homem de f: no falo!
– Fala: ou ters o degredo,
Ou morte a fio de espada.
– Mais vale morrer com honra,
Do que vida deshonrada!

– A ver se falas ou no,
Quando posto na tortura.
– Que importam duros tormentos,
Quando a vontade mais dura?!

Geme o peso atado ao potro
J tinha o corpo a sangrar,
J tinha os membros torcidos
E os tormentos a apertar,
Ento o Jaime Rebelo,
Louco de dor, a arquejar,
Juntou as ltimas foras
Para no ter que falar.
– Antes que fale emudea! –
Ps-se a gritar com voz rouca,
E, cerce, duma dentada,
Cortou a lngua na boca.

A turba vil dos esbirros
Ficou na frente, assombrada,
J da boca no saia
Mais que espuma ensanguentada!

Salazar, cuidas que o Povo
Te suporta, quando cala?
Ningum te condena mais
Que aquela boca sem fala!

Fantasma da sua dor,
Ainda hoje custa a v-lo;
A angstia daquelas horas
No deixa o Jaime Rebelo.
Pescador que se fez homem
Ao vento livre do Mar,
Traz sempre aquela viso
Na sombra dura do olhar,
Sempre de boca apertada,
Como quem no quer falar.

Este poema de Jaime Corteso circulou clandestinamente nos anos trinta e foi publicado no Avante em 1937 . A publicao de um poema de um republicano sobre um anarquista no jornal comunista inseria-se nos esforos de Francisco Paula de Oliveira /”Pavel” para reforar uma poltica de frente popular em Portugal . Sobre Jaime Rebelo veja-se a sua necrologia em Voz Anarquista 1 , 22/1/1975 e Csar Oliveira , “Jaime Rebelo : Um Homem Para Alm do Tempo ” , Histria , 6 , Maro 1995