O Combate constitui um repertório indispensável para quem se interesse pelas lutas sociais em Portugal em 1974-1975 ou, mais amplamente, pelo movimento da classe trabalhadora contra todas as formas de capitalismo, tanto privado como de Estado. A colecção completa deste jornal está agora disponível aqui.

O jornal Combate foi publicado em Portugal, no âmbito das inúmeras iniciativas políticas e populares que se seguiram ao derrube do fascismo em 25 de Abril de 1974 e que durante um ano e meio transformaram o que começara por ser um golpe militar num ensaio de profunda reorganização social. O nº 1 do Combate, acompanhado do Manifesto de lançamento, tem a data de 21 de Junho de 1974 e o último número, o nº 51, tem a data de Fevereiro de 1978. Até ao nº 10, de 8 de Novembro de 1974, o Combate foi semanário. Do nº 11, de 22 de Novembro de 1974, até ao nº 47, de 22 de Outubro de 1976, a periodicidade tornou-se quinzenal, embora com algumas falhas. A partir do nº 48, de Fevereiro de 1977, e até ao fim o Combate reduziu o formato, adoptou um modelo de revista e não conseguiu manter uma periodicidade regular.

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O PCP fez anos e deu um presente ao país: a colocação na Internet da colecção completa do Avante! clandestino. Fez ainda mais: trabalhou a colecção, indexou-a, e procurou tornar visíveis números que eram impressos em papel escuro que os tornavam quase impossíveis de reproduzir. É uma obra colossal de dedicação e esforço, um verdadeiro serviço público, que vamos ficar a dever a um partido político numa altura em que poucos cumprem funções cívicas. A importância do acto é muito relevante para toda a história do século XX que pura e simplesmente não se pode fazer sem o Avante!. E é também um acto com significado político: pela primeira vez, o PCP coloca à disposição de todos um aspecto relevante da sua história sem o censurar de tudo aquilo que entra em choque com a sua “história oficial”. Só existia um precedente, embora imperfeito, na edição do primeiro volume das obras escolhidas de Cunhal. Se o PCP continuar neste caminho, só merece incentivo e apoio.

José Carlos Rates, fundador do PCP e seu primeiro secretário-geral, após o seu afastamento do partido, aproximou-se do regime do Estado Novo, num processo idêntico a outros antigos militantes operários, que tinham sido sindicalistas-revolucionários. A 16 de Julho de 1931, o jornal oficioso do regime, Diário da Manhã, publicava o seu pedido de adesão.

Num dos mais notáveis esforços de colocar em rede e disponível a todos o nosso património bibliográfico, a Hemeroteca Digital que já dispõe de uma colecção de períodicos e panfletos digitalizados, relevantes para a história do século XIX e XX, finalizou a digitalização de A Capital. O projecto é assim descrito pela própria instituição:

Concluiu-se a digitalização integral deste jornal a partir de microfilme, num projecto que contemplou o tratamento de cerca de 20.000 imagens. Agora, através da Hemeroteca Digital, é possível aceder, gratuita e facilmente, a um dos principais jornais portugueses do primeiro quartel do século XX. A Capital apareceu em Lisboa em 1910 e foi fundada por Manuel Guimarães, seu redactor-gerente e, mais tarde, director e único proprietário. Dos seus colaboradores mais frequentes destaque-se Mayer Garção, Câmara Reis, Joaquim Manso, Reinaldo Ferreira, Avelino de Almeida, José do Vale, Júlio Dantas, entre muitos outros. Atingiu extraordinária popularidade, saindo regularmente até Julho de 1926. Entre 1926 e 1938 saíram apenas números anuais ou bianuais para manter o título.

O jornal é uma das fontes para a história do PCP na I República.

José da Silva , Relatório Crítico à Jornada do 31 de Janeiro, 7/2/1947

[Trata-se de um documento que revela as tensões dentro do MUD numa fase terminal, no início da guerra fria. Essas tensões vão levar à divisão da oposição entre os comunistas e não comunistas, consumada depois da campanha de Norton de Matos em 1949. José da Silva, um veterano militante comunista vindo dos anos vinte, foi um dos elementos essenciais da ruptura de 1949 que vai dar origem ao Movimento Nacional Democrático, controlado pelo PCP. Sobre José da Silva vale a pena ler os seus dois volumes das Memórias de Um Operário. Neste documento, publicado pela primeira vez, s críticas às hesitações legalistas e à falta de decisão dos órgãos dirigentes locais do MUD, assim como os elogios ao MUDJ são linhas de clivagem que se vão acentuar nos anos seguintes.]

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8

Ruy Luís Gomes, Complemento ao Curricum Vitae de Ruy Luís Gomes (Vida Política)

[Trata-se de uma síntese da actividade política de Ruy Luís Gomes escrita pelo próprio, em complemento ao seu curriculo cíentifico e académico.]

1, 2, 3

Os originais dos documentos pertenciam a Corino de Andrade e uma cópia digital foi cedida por José Carlos Santos, a quem agradeço.

Em Anexo, uma convocatória do 31 de Janeiro de 1947
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Nas minhas pesquisas no Arquivo Histórico de Loulé, nas inúmeras pastas confidenciais que por aqui existem, encontrei um Relatório sobre a situação política « nos meios provincianos e rurais” em 1947, com uma análise sobre as diversas classes sociais e a sua adesão aos princípios nacionalistas do regime, sugestões para atrair os descontentes e alvitres de propaganda anti-comunista.

Este Relatório de 6 páginas, foi elaborado por Raul Pinto, Chefe da Secretaria da Câmara Municipal de Loulé e Vogal da Comissão Concelhia da U.N., homem influente nos meios políticos de então, ao ponto de constar que foi graças ás suas diligências e conhecimentos que Salazar veio a Loulé em 1953 (penso que foi a única visita oficial que fez ao Algarve) inaugurar o Monumento a Eng. Duarte Pacheco. Este documento foi enviado na altura para o Secretário Geral da Comissão Central da U.N. , Governo, PIDE, etc.

(Luís Guerreiro – Chefe de Divisão de Cultura e Património Histórico da Câmara Municipal de Loulé)
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