Lista de “bolcheviquistas” residentes em Espanha, comunicada pelas informações militares ao Primeiro-ministro José Relvas, em 10 de Fevereiro de 1919. Essa lista de nomes inclui espanhóis, russos, alemães, polacos e austríacos. Continue a ler

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Carta anónima com ameaças a José Relvas e à sua família caso não libertasse os presos políticos. José Relvas era, à data de Fevereiro de 1919, Primeiro-ministro.

Nota de João Bonifácio Serra:

Os documentos que aqui são agora divulgados são do curto período em que José Relvas chefiou o Governo, acumulando com a pasta do Interior. Estava-se em Janeiro de 1919, Sidónio Pais tinha sido morto em Dezembro do ano anterior. A situação interna é muito instável. Relvas forma um governo de coligação (partidos republicanos, sidonistas moderados e socialitas) com duas metas: participar nas negociações internacionais sbsequentes ao armistício e apaziguar a situação política interna. Estes objectivos foram bem sucedidos. Mas Relvas queria pôr de pé uma bipolarização da vida política da República, um projecto que acarinhara desde antes da Guerra. Antes do fim de Março, embora tivesse obtido a dissolução do parlamento e a convocação de eleições, verificou que o quadro partidário iria permanecer identico ao que vigorara até 1917, e decidiu demitiu-se.

Inicio aqui a publicação de uma série de documentos inéditos existentes no Arquivo José Relvas que mostram o impacto do “bolchevismo” em 1919 em Portugal. O primeiro desses documentos aqui reproduzidos é uma nota das informações militares sobre os operários que estavam a trabalhar nas obras do “Manicómio Bombarda”.

Os documentos foram-me comunicados por João Bonifácio Serra, responsável pela inventariação e tratamento desse Arquivo, que também me forneceu uma nota sobre o trabalho que aí se está a realizar.

Arquivo José Relvas

A Casa-Museu dos Patudos, em Alpiarça, resultado do legado de uma vasta colecção de arte de José Relvas (1858-1929), conserva também o arquivo documental do seu antigo proprietário. O acervo contém documentação relativa às funções políticas que Relvas desempenhou no Partido Republicano Português (de que foi candidato a deputado em 1908 e dirigente nacional em 1909-1910) e no Regime Republicano (Ministro das Finanças do Governo Provisório, em 1910-1911; embaixador em Madrid, de 1911 a 1914; Chefe de Governo e Ministro do Interior, em 1919), além de documentação pessoal e empresarial.
O arquivo foi objecto de intervenções avulsas nos anos 70 e 80, as quais deram origem a algumas publicações, nomeadamente umas Memórias. Depois disso foi utilizado sobretudo como base de apoio ao estudo da colecção artística.
Em 2007, tiveram início trabalhos sistemáticos de organização e inventário do Arquivo Relvas. Estima-se que dentro de 6 a 10 meses este importante fundo documental possa ser aberto à consulta dos investigadores. O Arquivo passará então a ter um lugar próprio na Casa-Museu, cujo projecto institucional e museológico se encontra em reformulação.
A coordenação da equipa que elabora o novo projecto é do historiador João B. Serra que também comissariou uma exposição sobre a acção empresarial, política e cultural de José Relvas até 1914, que a Assembleia da República vai inaugurar no próximo mês de Junho.