Está disponível o inventário do espólio de Manuel Sertório oferecido pela família ao Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra. Manuel Sertório  foi um dos fundadores da revista Estudos sobre o Comunismo.

Na nota introdutória refere-se que: 

"A documentação foi oferecida por Elsa Sertório, filha de Manuel Sertório e deu entrada no Centro de Documentação 25 de Abril em 29 de Outubro de 1997. Evidenciava um cuidadoso trabalho de sistematização efectuado antes da doação. O estado de conservação dos documentos à chegada, considera-se bom.No respeito pelos critérios de arrumação originais procedeu-se à substituição completa das ferragens dos "dossiers", como medida de precaução contra o perigo de oxidação que, aliás, alguns deles já indiciavam, bem como ao restauro dos documentos mais deteriorados.A documentação entregue abarca, predominantemente, as décadas de 50 a 80 do século XX.

A parte mais representativa do espólio reflecte as actividades de Manuel Sertório enquanto activista da Oposição Política, primeiramente no exílio do Brasil e, depois, como militante da FPLN na Argélia. Na mesma data da doação foi entregue pelos doadores, no Centro de Documentação 25 de Abril, uma lista de documentação disponível na residência da viúva de Manuel Sertório, em Lisboa, e que diz respeito a manuscritos e recortes de imprensa de publicações de, ou sobre Manuel Sertório."

No seu blogue As Causas da Júlia, Júlia Coutinho publica uma carta inédita de Álvaro Cunhal datada de 1 de Março de 1966 e enviada de Moscovo para sua irmã Maria Eugénia Cunhal. A carta foi apreendida pela PIDE e "nunca chegaria ao destino." Trata-se de um documento pessoal relacionado com "as mortes do cunhado, o médico Fernando Medina, e do pai, o advogado Avelino Cunhal. (…) . Ela revela-nos um homem amargurado e preocupado com a irmã, que adorava. Com a sua família.Uma faceta praticamente desconhecida de Alvaro Cunhal. Mas que existia. E aqui se revela." (Júlia Coutinho)

Com devida vénia, transcrevo o texto:

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Passou à ilegalidade, em Julho de 1945, e, após controlar o sector da linha do Estoril, substitui, em 1962-63, Rolando Verdial, na zona oeste, passando a funcionária responsável por Mafra, Sobral do Monte Agraço, Torres Vedras, Bombarral, Caldas da Rainha, Alcobaça, Leiria, o sector da Marinha Grande em 1963, Á-da-Gorda, Monte Real, Runa, Vila Nova de Ourém, Pero Pinheiro, Sacavém e Peniche. Era controlada inicialmente por José Carlos («Noé») e, depois, por Ângelo Veloso («Casais»), residindo em Aveiras de Cima, quando foi detida, com Manuel António Gomes e Rosa Passão, em 8 de Março de 1964, no Algueirão. Usou os pseudónimos de «Silva», «João» e «Joaquim», nome com o qual escrevia nas 3 Páginas e Voz das Camaradas do Partido. Condenada em 5 de Dezembro de 1964, a três anos e meio de prisão maior e medidas de segurança, apenas foi libertada condicionalmente em Abril de 1969, sendo a liberdade convertida a definitiva em Janeiro de 1973.

Natural de Setúbal, mulher de Salvador Dias Amália, vivia com este numa casa ilegal, quando ele foi preso, mas ela não, por alegar, com sucesso, que apenas tinha acompanhado o marido e se ocupava de afazeres domésticos. Continuou na clandestinidade como funcionária até, pelo menos, 1957, quando o marido foi solto. Voltou, em 16 de Setembro, para a companhia de Salvador Amália, ficando ambos na clandestinidade. Foi presa, em 16 de Agosto de 1962, com o marido, na região Setúbal e, em 11 de Fevereiro do ano seguinte, foi solta ficando os autos do processo-crime a aguardar melhor prova. Clementina Amália foi novamente detida, em 28 de Abril de 1965, sendo interrogada, na PIDE do Porto, que concluiu que ela vivera, entre 1953 e 1956, como funcionária, numa parte de casa com Georgette Ferreira («Helena»). Fora depois transferida para uma tipografia do PCP, na Avenida de Brasil em Lisboa, controlada por Manuel Luís da Rosa Júnior («Ivo»), juntamente com Eduardo Pires («José»), a mulher, Maria da Glória Simões e um filho dos dois, Carlos Alberto da Glória Pires. Quando Salvador Amália foi libertado – o que soube através de um anúncio no Século, previamente combinado, foi para casa de uma tia e nunca mais teve actividade política. Afirmou ter abandonado a actividade partidária, em 1957.

Natural de Vale do Vargo, concelho de Serpa, era casada com José Lobato Pulquério, com quem esteve, na semi-clandestinidade desde 1957 e na clandestinidade desde 1960, ocupando-se de uma casa clandestina-tipografia do Avante! Foi presa, pela primeira vez, com o marido e uma filha de 14 anos, na Damaia, em 20 de Agosto de 1968, no mesmo dia em que foram presos Rosalina Labaredas e Francisco Canais Rocha. Torturada, foi, depois, enviada para Caxias, onde esteve seis meses sem ser julgada. Foi condenada, em 6 de Março de 1969, a dois anos no primeiro julgamento, mas, como tinha BI falso, foi novamente julgada e sentenciada a mais dois anos, sendo sentenciada, em cúmulo jurídico, a uma pena de quatro anos e três meses. Segundo contou, ficou muito mal, quis matar-se, puseram-na maluca e foi parar ao Hospital de Miguel Bombarda, em 17 de Junho de 1972. No entanto, apenas foi solta condicionalmente, em 20 de Novembro desse ano.

Nasceu em Ferreira do Alentejo, em 1943, filha de um elemento do PCP, Joaquim António Pimentão, de Ermidas. Em 1962, foi considerada «membro» do PCP, em situação de «fugida», com o pseudónimo de «Glória», fazendo parte do Comité Local de Ermidas-Sado, com Manuel Joaquim Colaço, José Guerreiro Drago, José dos Santos Gonçalves, António do Golfo, António Pimentão e António Manuel Cesário. Em 1965, viajou para a URSS, para participar no VI Congresso do PCP. Em Julho de 1968, a PIDE informou que ela estava doente, a residir com uma irmã em Setúbal, «não interessando neste momento “tocá-la”, mas sim vigiá-la».