Muitas vezes digo aos meus amigos que as peripécias que passei e passo para escrever a biografia de Álvaro Cunhal davam um livro à parte, com todos os ingredientes de um romance entre o Le Carré e uma coisa mais pícara, ou seja, uma combinação quase impossível e muito improvável. Desde início que sabia que a iniciativa seria dificultada pelo próprio Álvaro Cunhal e que este colocaria todos os obstáculos possíveis, ele e o PCP. Sabia também que escrevia no fio de uma navalha muito especial, a de estar a biografar alguém que estava vivo, que era muito hostil à iniciativa (e ao autor) e que podia com muita facilidade desclassificar a seriedade do trabalho. No fundo, a vida era dele e bastava Cunhal dizer que meia dúzia de afirmações eram erradas ou “falsas” para criar uma imagem de falta de rigor. Esta possibilidade era tanto mais real quanto eu escrevia sobre uma história em grande parte por contar, sem fontes secundárias, com fontes primárias de muito complexa interpretação (como as fontes de polícia, ou os arquivos soviéticos), mas em muitos casos sem fontes nenhumas e com escassíssimos testemunhos. Cunhal nunca o fez e soube mais tarde por testemunhos de pessoas que o contactaram nos últimos anos da sua vida, que ele elogiou a biografia que nunca desejara que fosse escrita.

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F: Editorial Avante!

04-12-2008-3

Os textos publicados neste tomo II são produto de três períodos distintos da vida e actividade políticas de Álvaro Cunhal: um, que vai desde a sua viagem à União Soviética, via Jugoslávia (onde chegou em 2-3 de Dezembro de 1947), até à sua prisão em 25 de Março de 1949; outro, respeitante aos anos de prisão na Cadeia Penitenciária de Lisboa (na qual deu entrada em 4-4-1949) e na Cadeia do Forte de Peniche (para onde foi transferido em 27-7-1956); e outro, compreendido entre a data da sua evasão, em 3 de Janeiro de 1960, e a publicação de Rumo à Vitória, em Abril de 1964, obra que é um marco do pensamento político marxista-leninista no nosso país, na sua tripla vertente de síntese histórica, de análise conjuntural e de prospectiva do processo revolucionário em Portugal.»

(Em breve comentarei esta edição, na sequência do que já fiz para o I volume.)

UM PASSO EM FRENTE, VÁRIOS PASSOS AO LADO

e nenhum atrás, é, como título a anunciar uma publicação da editorial do PCP, um elogio. De facto esta edição do primeiro volume das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal, de responsabilidade de Francisco Melo, é uma saudável novidade para os tradicionais costumes das publicações do PCP sobre a sua história. Estas ou eram memorialística heróica, ou edições cuidadosamente expurgadas para não contrariarem a história “oficial” do partido. Este volume das obras de Cunhal é diferente e essa diferença é um passo considerável na credibilização histórica das edições PCP.

O passo em frente é dado pela publicação de muitos textos de Cunhal, que o PCP até agora fazia que ignorava, ou só publicava em extractos inócuos. Nestes textos perpassa a história real e não apenas a história fictícia e a assunção pelo PCP desta realidade tardou mas é benvinda. É verdade que quase todos os textos não podiam ser ignorados porque estavam referenciados nos volumes da biografia de Cunhal que publiquei e que se percebe ter sido usada sem ser citada, mas pode-se sempre esperar que o seja no volume final.

Vamos agora aos passos ao lado. Os inéditos dos arquivos do partido, que até agora eram desconhecidos, completam o que já se sabia, e representam um adquirido importante para o conhecimento de Cunhal dirigente partidário. No entanto, tudo indica que haverá mais textos que não foram escolhidos, sem serem referidos nem identificados. As notas são rudimentares na maioria dos casos e tornam dependente, para a sua compreensão mínima, a consulta de outras fontes. Quer o caso do “grupelho provocatório”, quer o caso do browderismo no PCP (polémica com Piteira Santos), permanecem em grande parte incompreensíveis sem um esforço suplementar de consulta. Existe o texto, mas não o contexto.

Apesar de tudo isto, e tendo em conta o mundo de betão que é a história “oficial” do PCP, esta edição e o seu organizador, abriram um caminho positivo que espero que continue a ser trilhado pelas Edições Avante!.

No seu blogue As Causas da Júlia, Júlia Coutinho publica uma carta inédita de Álvaro Cunhal datada de 1 de Março de 1966 e enviada de Moscovo para sua irmã Maria Eugénia Cunhal. A carta foi apreendida pela PIDE e "nunca chegaria ao destino." Trata-se de um documento pessoal relacionado com "as mortes do cunhado, o médico Fernando Medina, e do pai, o advogado Avelino Cunhal. (…) . Ela revela-nos um homem amargurado e preocupado com a irmã, que adorava. Com a sua família.Uma faceta praticamente desconhecida de Alvaro Cunhal. Mas que existia. E aqui se revela." (Júlia Coutinho)

Com devida vénia, transcrevo o texto:

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(do Press release de apresentação)

ÁLVARO CUNHAL – A VIDA DE UM RESISTENTE

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Para assinalar o 1º aniversário da morte de Álvaro Cunhal (13 de Junho de 2005), a Lusomundo apresenta, numa edição especial em DVD de dois discos, “ÁLVARO CUNHAL, A VIDA DE UM RESISTENTE”, um documentário biográfico da autoria de Joaquim Vieira co-produzido pela SIC e a Nanook.

O filme, com cerca de duas horas, sobre a vida do líder histórico do PCP é lançado para todo o mercado português no dia 8 de Junho. Trata-se de um documentário único, bastante completo e de interesse geral, dividido em duas partes e complementado com um disco adicional de extras.

Parte 1 – QUE FAZER?

Parte 2 – O ESTADO E A REVOLUÇÃO

NA FNAC CHIADO ÀS 19:30 UM DEBATE COM JOSÉ PACHECO PEREIRA, ODETE SANTOS, JOÃO MADEIRA E JOAQUIM VIEIRA

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