"Dando continuidade ao referido na Newsletter N.º 5, de 5 de Abril, retomamos aqui a divulgação do projecto de digitalização, em curso, da imprensa académica portuguesa, desta vez publicada entre 1933 e 1974. Durante este período, as publicações periódicas, mas também a rádio e os espectáculos públicos, estavam sujeitas à censura política do regime e, a partir de 1972, com a publicação da nova Lei de Imprensa, ao chamado exame prévio. Mas esta situação não impediu que os jornais, mas sobretudo as revistas, criticassem, ainda que de uma forma subtil, as estratégias políticas e culturais do Estado Novo. E, muitas vezes, na linha da frente destas críticas estavam as revistas das associações de estudantes, como, por exemplo, a Quadrante, uma das principiais revistas académicas publicadas no final dos anos 50. Aqui, editamos, em formato electrónico, os números uns ou primeiros números de algumas das colecções existentes na Hemeroteca Municipal de Lisboa, divulgando assim um espólio da maior importância para o conhecimento do movimento estudantil durante o Estado Novo."

(Newsletter, 8, 25 de Maio 2006)

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NOVO DIRECTOR DO IAN/ TORRE DO TOMBO

Silvestre Lacerda foi nomeado director do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (IAN/TT). O Público de 5/6/2005 refere alguns elementos curriculares de Lacerda

Lacerda, um profissional muito conceituado na área e que já presidiu à Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (2001-2004), tem um perfil inesperado, uma vez que a tutela tem preferido nomear historiadores para a direcção deste organismo criado na Idade Média (…) Silvestre Lacerda licenciou-se em História na Faculdade de Letras do Porto e entre 1997 e 2000 foi o coordenador do Departamento de Património e Gestão do Centro Português de Fotografia.

e cita as suas opiniões sobre a acção do IAN/TT,

O instituto tem que tomar em conta que há a questão da gestão documental. Tratar os arquivos como um sistema global de informação, desde o planeamento dos sistemas até ao destino final do documento, que pode ser a sua destruição ou a conservação permanente.” A segunda inflexão estratégica é a criação de uma verdadeira rede nacional de arquivos, que incluiria os arquivos distritais, que já fazem parte do IAN/TT, mas também os municipais, ministeriais ou particulares, como os da Igreja ou da Fundação Mário Soares.”

Lacerda iniciou o seu trabalho como arquivista na preservação dos arquivos sindicais e coordenou a equipa do Centro de Documentação e Informação da Universidade Popular do Porto: «Arquivos Sindicais — Para preservar e divulgar a memória do Porto» e «Memórias do Trabalho — testemunhos do Porto laboral no século XX».

ARQUIVOS NA INTERNET COM INTERESSE PARA PORTUGAL: GRUPOS HOLANDESES DE SOLIDARIEDADE COM PORTUGAL

Encontra-se depositado no Instituto Internacional de História Social (IISG), em Amsterdão, o arquivo da organização holandesa de solidariedade com Portugal “Tulipa Vermelha”. Essa organização, fundada em 1972, teve um papel activo no apoio à “Reforma Agrária” depois do 25 de Abril. Um inventário do arquivo existe em holandês, realizado por Henk Hondius, Plaatsingslijst van het archief van TULIPA VERMELHA 1972 – 1996 .

Na mesma instituição, está igualmente o arquivo do Steungroep Landhervorming Portugal Nijmegen , de que existe um inventário feito por Cees Smit , Plaatsingslijst van het archief van de STEUNGROEP LANDHERVORMING PORTUGAL NIJMEGEN s(1973-) 1977-1990 .

Existem também no IISG os arquivos do Nederlands Portugal Comité , e do Portugal Comité mas não estão inventariados.

O Occasio Digital Social History Archive, o arquivo Internet do IISH, está disponível em linha. Da página de apresentação do projecto. reproduzimos a descrição do arquivo e as condições de acesso:

The Occasio Digital Social History Archive is the Internet archive of the IISH. It is a collection of newsgroup messages on social, political and ecological issues distributed on the internet. The project was launched in 1995, following a suggestion by Tjebbe van Tijen, when the Antenna Foundation, at the request of the IISH, started to collect and store APC conferences (newsgroups) and material about the wars in the former Yugoslavia. Its aim was to preserve important social and political digital documents and to make them accessible to historians and social scientists. The Netherlands Organization for Scientific Research (NWO) provided initial funding. As a result, 2,300,000 messages from 2,300 newsgroups dating from 1986-2002 are now available for research. They deal with labour issues, human rights, poverty, development, war and peace, health issues, the environment, women’s and gender issues, regional news, ethnic and religious minorities, media, art, and much, much more.

Nearly all messages were distributed by the Association for Progressive Communications (APC), an international partnership of independent communication networks, of which Antenna was the Dutch representative. A part of the archive is related to the wars in the former Yugoslavia, where peace groups used the Internet to exchange information and to help people find their lost relatives. This collection can be accessed separately.

The Occasio archive is available online. Private APC conferences, however, can only be consulted at the premises of the International Institute of Social History, in compliance with the Institute’s regulations.

Occasio is an archival collection, so users cannot reply to the messages or post new ones. Antenna and the IISH, however, will continue to collect new messages from newsgroups and mailing lists on social and political issues. In the near future, these documents will also become available from the Occasio webpages.

ABERTURA DO ARQUIVO DE MARCELLO CAETANO NA TORRE DO TOMBO

Encontra-se disponível a arquivo pessoal de Marcello Caetano na Torre do Tombo. Segundo António Frazão, o seu responsável,

“os documentos estão divididos em duas grandes partes: o conjunto de séries associadas a actividades particulares, culturais e políticas não oficiais; outro com séries relativas a funções e cargos políticos e públicos.
No primeiro conjunto, encontram-se as seguintes 12 secções: Instituto dos Estudantes Católicos de Lisboa (1923-24); Estudante da Faculdade de Direito, (1926) – os documentos da greve estão aqui; Integralismo Lusitano (27-28); Sociedade de S. Vicente de Paulo (28); Artigos de Imprensa (32-40); Cruzeiro de Férias às Colónias (35); Guerra Civil de Espanha; Revisão Constitucional (51); Documentos Diversos (47-54) – inclui o processo político; ambiente sociopolítico na universidade e no país (1962); exílio no Brasil (74-80); e correspondência (24-90) – há cartas enviadas depois da morte.
As secções dedicadas aos cargos e funções políticas são oito: 1º Conselho Político Nacional (1932), Conselho do Império Colonial (40), Mocidade Portuguesa (41), Ministro das Colónias (44-47), União Nacional (34-51), Ministro da Presidência (55-58), Reitor da Universidade de Lisboa (59-62), Presidência do Conselho de Ministros (68-74).”

A família assinou na quarta-feira com a Torre do Tombo um contrato onde o depósito passa a doação. “Entrámos na fase da doação”, diz Miguel Caetano. Mas a abertura antes de 2015 – quando se cumprissem 35 anos sobre a morte de Marcello, 50 no caso dos documentos confidenciais, como os relativos ao exílio no Brasil – “estava já prevista, desde que as formalidades fossem cumpridas pela Torre do Tombo. Ou seja, que o arquivo fosse organizado e feito o inventário”.

As condições de abertura foram criticadas por Fernando Rosas que “lamenta que os documentos não tenham um regime de consulta semelhante aos do arquivo de Salazar, também guardado na Torre do Tombo. “O regime tal como existe significa em abstracto que há uma segunda filtragem feita pela família de Marcelo Caetano. Gostava que fosse mais universal. À luz da experiência que há com os arquivos de Salazar e da PIDE/DGS [polícia política], o acesso podia ser mais universal, pois não houve queixas de utilizações abusivas.”

Porém a directora da Torre do Tombo, Miriam Halpern Pereira, diz que

é bastante excepcional que a família autorize a consulta antes do prazo legal”, acrescentando que a atitude da família de Marcello Caetano “é muito digna, generosa e um caso exemplar”. “Isso pode ser violento para os investigadores, mas a regra é que fique fechado, como se passa com o arquivo de Mitterrand”.

E informa que “o grosso da documentação da Presidência do Conselho de Ministros relativa a Marcello Caetano” vai ser transferido para a Torre do Tombo. “Vai ficar imediatamente disponível. Entra prontinha a ser utilizada.”

FUNDAÇÃO ÁLVARO GUERRA

Segundo notícia publicada pelo Público de 20 de Outubro de 2003, vai ser constituída em Vila Franca de Xira uma Fundação Álvaro Guerra:

Álvaro Manuel Soares Guerra ficou sobretudo conhecido pelas suas actividades como escritor, diplomata e jornalista, mas desenvolveu também um percurso político importante. Pouco tempo depois de ter regressado a Vila Franca, após uma intensa carreira diplomática, Álvaro Guerra faleceu a 21 de Abril do ano passado, vítima de problemas cardíacos.
Como escritor ficou sobretudo conhecido pela publicação da chamada “trilogia dos cafés” – Central, República e 25 de Abril – onde, a partir de conversas desenvolvidas no mais “castiço” café de Vila Franca, relatou fases marcantes da história de Portugal vividas numa vila ribatejana. Antes revelara já a sua forte oposição ao antigo regime e exilou-se em França, depois de sofrer algumas perseguições de agentes da PIDE. Frequentou, então, a École des Hautes Études da Sorbonne, onde enriqueceu a sua experiência cultural. Regressado a Portugal prosseguiu as suas actividades literária e jornalística, colaborando no “República”, jornal opositor do regime, envolvendo-se na fundação do vespertino “A Luta”.
Após o 25 de Abril de 1974 desempenhou funções de director de informação da RTP e foi assessor do Presidente da República Ramalho Eanes. Iniciou, depois, uma carreira diplomática que o levou à antiga Jugoslávia de 1977 a 1984. Na qualidade de embaixador passou, também, por locais como Nova Deli, Kinshasa e Estocolmo.