Numa nota publicada em 25 de Janeiro de 2004 no Abrupto e nos Estudos sobre o Comunismo, publiquei esta crtica:
Num artigo de hoje do Pblico So Jos Almeida escreve o seguinte sobre as torturas utilizadas pela PIDE:
Os mtodos [de tortura] usados passavam, por exemplo, por queimar os presos com cigarros. Era tambm usual interrogar os presos despidos, sobretudo quando se tratava de mulheres.
Nenhuma destas coisas verdade, a no ser excepcionalmente. A PIDE torturava e torturava por sistema, no isso que est em causa. Mas no utilizava queimaduras que deixavam marcas e muito menos despia as mulheres usualmente. H um ou outro relato , muito raro, de queimaduras de cigarro, e ,a no ser num caso de mulheres presas do Couo em que humilhaes directas de carcter sexual foram utilizadas, desconhecem-se testemunhos nesse sentido. A PIDE insultava as companheiras de tudo quanto havia, mas no as despia.
Afirmar isto no compreender de todo os quadros de mentalidade que presidiam ao regime A lei no chegava PIDE, como os PIDEs se gabavam, mas chegava a mentalidade e a moral sexual (ou a falta dela). completamente inverosmil o que se diz no artigo.
Esta nota motivou uma reaco indignada de So Jos Almeida e de outros jornalistas do Pblico no Glria Fcil, reafirmando a veracidade e o fundamento do que se escrevera no artigo. Entendi nada dizer porque todas as pessoas que conhecem a histria da represso em Portugal sabem do completo infundado das afirmaes de So Jos Almeida e no valia a pena qualquer comentrio pelo que era uma manifestao de ignorncia solidria.
Agora, no mesmo jornal, Irene Pimentel , que se prepara para terminar o estudo mais completo sobre a PIDE, vem dizer exactamente o mesmo. H apenas um caso conhecido e nenhuma prtica “habitual” como dissera So Jos Almeida:
Nos anos 60, a ideia da emancipao das mulheres tambm chega PIDE e comearam as torturas s mulheres. As do Couo foram as primeiras”, conta Irene Pimentel.. () A historiadora apenas tem conhecimento de um caso de tortura sexual a uma mulher. “ um caso conhecido, foi Conceio Matos, que foi submetida tortura da esttua, estando menstruada, obrigada a despir-se e a limpar-se com a roupa, diante dos agente. Entre eles estava uma mulher, a clebre agente Madalena, que tinha fama de muito violenta com os presos”.
Ficava bem, at pelo tom habitual de arrogncia moral que foi usado, que se reconhecesse o erro.