2 pensamentos sobre “

  1. Muito bem escrito, claro e original!
    Não há dúvida que o PCP não foi criado por Cunhal, mas foi inteiramente moldado por ele!…

  2. Comprei e li este livro na semana passada e parece-me um texto fundamental na compreensão de um período muitíssimo importante na vida do comunismo no Mundo, e em especial em Portugal.
    Refere muitos detalhes desconhecidos ou negligenciados até aqui, e que enquadram de forma clara a evolução e conteúdo da polémica e dos seus actores.
    Parece-me que tanto a análise da deriva para a esquerda de FMR e o seu encontro ou convergência com as teses e as críticas dos chineses ao PCUS é muito interessante (embora siga no essencial o que o próprio referiu em entrevistas), como o é também a análise da reacção do PCP, em particular de Cunhal, relativamente às teses de FMR.
    Cunhal parece estar neste processo numa posição muito incómoda. Por um lado, está numa posição “centrista” relativamente à linha direitista e às propostas de FMR, por outro lado parece nunca ter alinhdo completamente com as teses “pacifistas” do PCUS, e em muitos escritos manifestou-se claramente adepto de uma via violenta, armada, no “levantamento” português. De seu próprio punho, escreveu em diversas ocasiões ter sido criticado pelas suas posições consideradas “esquerdistas” pelos partidos da órbita do PCUS.
    Teria adoptado estas posições meramente por razões internas? Não o creio, o seu beneplácito à ARA não deixou de ter consequências sobretudo perante o “verbalismo” dos grupos maoístas.
    O essencial está de facto no conteúdo das teses “frentistas” que o PCP assumiu e que divergiam das patrocinadas pelo PCUS e outros partidos europeus.
    Cunhal, o último Estalinista? Talvez o fosse de uma forma mais profunda e interiorizada do que muitos grupos maoístas pretendiam ser. Uma forma amadurecida, reflectida e crítica.
    Bom, por mim, nunca me esqueci do meu colega Sérgio Secca (ligado à UEC) no Liceu Alexandre Herculano (Porto) a dizer-me muito sério, em fins de 73 ou em inícios de 74, que ” a via pacífica é a mais violenta, porque é a que vai obrigar a burguesia a ceder, num quadro democrático”. Eu não me ria, também levava a discussão a sério e não concordava porque a minha visão estava influenciada pela do PCP(ml) através da linha PESP.
    Mas nessa altura eu tinha 16 anos, ele 17, e nenhum de nós estava a prever nem o 25 de Abril nem o PREC em que Cunhal e o PCP tentaram com toda a coerência levar em frente a linha política amadurecida durante os anos da polémica a que este livro se refere, e traduzida no Rumo à Vitória.
    Uma leitura obrigatória.
    Abraço

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