ALFREDO PEREIRA GOMES (1919-2006)

Faleceu no dia 29 de Novembro Alfredo Pereira Gomes, matemático, professor, que foi um membro da oposição ao regime ditatorial, quer como militante do PCP, quer depois, fora do PCP, como oposicionista no exílio.

Por ocasião da sua morte foram publicados várias notas biográficas, centradas na sua actividade científica, entre as quais o comunicado de imprensa da Sociedade Portuguesa de Matemática. Muita documentação, correspondência e fotos relativas a Alfredo Pereira Gomes encontra-se no blogue Ruy Luis Gomes de autoria de Jorge Rezende. O Departamento de Matemática da Universidade Federal de Pernambuco tem em linha um facsimile do manuscrito da “Teoria das funções” de Alfredo Pereira Gomes. Uma nota no blogue Nós-sela inclui  fotos de um dos últimos convívios de matemáticos em que participou.

Reproduz-se aqui a nota biográfica publicada na CiênciaHoje:

Alfredo Pereira Gomes faleceu ontem, dia 29 de Novembro, no hospital Curry Cabral em Lisboa. Pereira Gomes era irmão dos escritores Alice Gomes e Soeiro Pereira Gomes, e fazia parte de uma geração composta por nome como Bento de Jesus Caraça, Ruy Luís Gomes e António Aniceto Monteiro, de quem foi orientando. Ao contrário da maior parte dos matemáticos portugueses de seu tempo, fez o doutoramento no país, na Universidade do Porto. Em 2005, em entrevista à Sociedade Portuguesa de Matemática e ao programa 2010, relatou com orgulho o facto de José Sebastião e Silva, um dos maiores matemáticos daquela geração, ter dito que a sua tese – Introdução ao estudo duma noção de funcional em espaços sem pontos – fora a primeira realizada em Portugal a ter repercussão internacional.O matemático nasceu a 18 de Janeiro de 1919 em Espinho. Concluiu a licenciatura e o Doutoramento na Universidade do Porto, onde iniciou sua carreira de professor. Era professor assistente em 1947, quando foi surpreendido pela expulsão de diversos intelectuais – entre os quais quase uma geração inteira de matemáticos – das universidades portuguesas, orquestrada pelo regime salazarista. Impedido de trabalhar, viu-se obrigado a partir para França, onde permaneceu até 1953.

A convite do reitor da então Universidade do Recife, partiu para o Brasil, onde fundou o Instituto de Física Matemática (IFM). No IFM, recebeu matemáticos de renome, como os medalha Fields Laurent Schwartz e Alexander Grothendieck, e acolheu diversos matemáticos portugueses, como ele impedidos de prosseguir as suas carreira no país. Com isso, criou no estado de Pernambuco aquilo a que o matemático brasileiro Leopoldo Nachbin chamava “a melhor escola portuguesa de Matemática do mundo”. O trabalho desenvolvido nesse período foi alvo de uma homenagem em 1997, durante o II encontro Luso-Brasileiro de História da Matemática, em São Paulo.

No início da década de 1960, aceitou um convite de Jean Delsarte, Doyen da Faculdade de Ciências da Universidade de Nancy, para lá ocupar um posto de professor durante um ano. A instauração da ditadura militar no Brasil, no entanto, fez com que permanecesse em França, como professor da Universidade de Nancy, por mais tempo do que o inicialmente previsto. Em 1972, com a abertura proporcionada por Marcelo Caetano, regressou a Portugal, onde participou na reactivação da Sociedade Portuguesa de Matemática e foi o responsável pela reabilitação da Portugaliæ Mathematica.

O corpo de Pereira Gomes estará em câmara ardente a partir das 17 horas de hoje, 30 de Novembro de 2006, na casa mortuária da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Av. de Berna, em Lisboa. Pelas 10h30 de amanhã, dia 1 de Dezembro, o corpo seguirá para o cemitério do Alto de São João, onde será cremado.

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Um pensamento sobre “ALFREDO PEREIRA GOMES (1919-2006)

  1. Prezados Sehores(as),

    Encontrei em Recife, Brasil um centro matemático que teve seu origem em homens como Alfredo Pereira Gomes.
    Hoje, novas cirscuntãncias, colocam novos desafios para os continuadores desse trabalho .
    Em particular, a questão da formação de um centro matemático de nível internacional, em um estado do Nordeste brasileiro, continua aberta.

    Atenciosamente,

    Ramón Mendoza

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