Estão disponíveis em linha várias comunicações apresentadas no COLÓQUIO INTERNACIONAL Movimento Estudantil – Dilemas e Perspectivas (FEUC, 24 e 25 de Maio), entre as quais:

 

* Miguel Cardina: Dinâmicas da intervenção política estudantil no declínio do Estado Novo

 

* Miguel Gómez Oliver: El Movimiento Estudiantil Español durante el Franquismo (1965-1975)

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3 pensamentos sobre “

  1. O texto de Cardinas é talvez o que se pode dizer em 6 páginas. Mas é tão superficial…
    Um dos aspectos que nestas análises é quase sempre mitificado, é o grau de apoio que o movimento estudantil tinha da população estudantil. Ele era muito menor do que gosta de imaginar ou recordar.
    Havia, sim, um amplo movimento de mudança nos costumes, nomeadamene sexuais, que reflectia os “anos 60” e, especialmente, a emergência da pílula. Mas esse era um movimento quase subterrâneo que pouco se interessava pela política.

  2. Miguel Cardina

    Caro/a Velha Guarda:
    O texto pretende fazer uma leitura breve da evolução política do movimento estudantil coimbrão entre 1956 e 1974. Uma abordagem mais “cultural” sobre o processo de autonomização social da juventude durante os anos sessenta teria feito ultrapassar drasticamente os limites deste trabalho, que se destinava a acompanhar uma comunicação oral de 15-20 minutos.
    Tem razão quando afirma que “o grau de apoio que o movimento estudantil tinha da população estudantil (…)era muito menor do que gosta de imaginar ou recordar.” Todavia, foi este activismo – minoritário quase sempre, mais ou menos fragmentado, mutável ele próprio ao longo dos anos – que estabeleceu o repertório reivindicativo do meio estudantil e de significativas franjas sociais que iam para além deste. De facto, até 1974 (até hoje, diria), e descontando as “crises académicas” de 62 (talvez) e 69, é difícil encontrar momentos em que seja evidente a participação maioritária de estudantes nos episódios de contestação. Mas isso não me parece o essencial. O essencial era que essas minorias activas, que recusavam o modelo político-ideológico do Estado Novo, que denunciavam a guerra colonial e que fomentavam absorção dos novos modelos político-culturais trazidos pelos sixties – conseguiam ter um impacto social superior à sua dimensão, devido à capacidade em comunicar com sectores sociais contíguos.
    Não concordo quando afirma que esse movimento, mais cultural, “pouco se interessava pela política”. Talvez não se interessasse pelas formas convenciais de fazer política – mesmo entre os meios oposicionistas – e isso tornou-se bastante evidente no troço final do regime. Sem querer adiantar-me muito, e utilizando o exemplo que dá, não me quer parecer que tomar a pílula, com todos os estigmas e dificuldades práticas de aquisição, fosse propriamente um acto inócuo. Assim como não o era deixar crescer a barba e o cabelo (ainda que timidamente, a crer pelas fotos…), ler o Diário de Lisboa ou o Comércio do Funchal ou consumir música rock e substâncias derivadas.

  3. Velha Guarda (Pinto de Sá)

    Mas estamos de acordo, então, caro Cardina!
    Faria somente uma clarificação com a qual penso que concordará: por um lado havia um movimento cultural quiçá maioritário, de contestação dos costumes, que ia da pílula aos Rolling Stones passando pelo cabelo comprido nos rapazes e as mini-saias nas raparigas. Isso vinha dos anos 60 e obviamente afrontava o regime, que expulsava das aulas, nos liceus, os rapazes sem gravata e as raparigas sem meias e que cortava dos filmes as cenas com beijos que durassem mais de meio minuto.
    O que eu acho é que isso não era o movimento estudantil. Isso era um movimento juvenil que talvez tivesse a “vanguarda” na Universidade mas que a excedia.
    O movimento estudantil, esse, concordo que tinha uma influência política muito superior à sua importância numérica. Mas isso era semelhante ao que o PCP sempre disse de si próprio, que tinha uma influência muito superior à sua importância eleitoral, devido às formas de pressão não-eleitorais em que era mestre. Ou seja, importância política sim, mas muito menor quanto à representatividade sociológica da época.
    Cumprimentos cordiais

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