Natural de Setúbal, mulher de Salvador Dias Amália, vivia com este numa casa ilegal, quando ele foi preso, mas ela não, por alegar, com sucesso, que apenas tinha acompanhado o marido e se ocupava de afazeres domésticos. Continuou na clandestinidade como funcionária até, pelo menos, 1957, quando o marido foi solto. Voltou, em 16 de Setembro, para a companhia de Salvador Amália, ficando ambos na clandestinidade. Foi presa, em 16 de Agosto de 1962, com o marido, na região Setúbal e, em 11 de Fevereiro do ano seguinte, foi solta ficando os autos do processo-crime a aguardar melhor prova. Clementina Amália foi novamente detida, em 28 de Abril de 1965, sendo interrogada, na PIDE do Porto, que concluiu que ela vivera, entre 1953 e 1956, como funcionária, numa parte de casa com Georgette Ferreira («Helena»). Fora depois transferida para uma tipografia do PCP, na Avenida de Brasil em Lisboa, controlada por Manuel Luís da Rosa Júnior («Ivo»), juntamente com Eduardo Pires («José»), a mulher, Maria da Glória Simões e um filho dos dois, Carlos Alberto da Glória Pires. Quando Salvador Amália foi libertado – o que soube através de um anúncio no Século, previamente combinado, foi para casa de uma tia e nunca mais teve actividade política. Afirmou ter abandonado a actividade partidária, em 1957.

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3 pensamentos sobre “

  1. Julia Coutinho

    Há aqui um engano qualquer.
    Como pode ter deixado a vida política em 1957 se foi presa em 1962?

  2. irene pimentel

    A Júlia tem razão: há um engano na escrita. O que aconteceu foi que ela afirmou à PIDE, em interrogatório, que deixou a actividade política em 1957 e que apenas se juntou ao marido, enquanto sua mulher, nessa data. O certo é que Salvador Amália ingressou novamente na clandestinidade e ela acompanhou-o. Muitas funcionárias, caso estivessem casadas com companheiros de clandestinidade, afirmavam isso à PIDE, para não serem levadas a julgamento e serem soltas: o facto de apenas terem ido para a clandestinidade, para acompanharem os respectivos maridos. Assim sendo, o que deveria estar escrito é: «Segundo afirmou Clementina Amália, à PIDE, teria ido para casa de uma tia e abandonado a actividade partidária, quando o marido foi libertado». Irene Pimentel

  3. MARIA CLEMENTINA AMÁLIA nasceu em Setúbal em 12/11/1915 e faleceu em Setúbal em 15/04/2002. Casou com Salvador Pereira Amália em 20 de Junho de 1937 e enviuvou deste em 01/08/2000.
    Acompanhou sempre o marido nas múltiplas actividades político-partidárias.
    Trabalhou vários anos na clandestinidade no sector da imprensa do Partido Comunista Português.
    Deve ser rectificado o nome de seu marido e companheiro de luta.
    Na realidade embora tenha deixado a vida da clandestinidade em 1957/58 foi presa em 1962 por retaliação da PIDE ao tomar conhecimento das tarefas que tinha desenvolvido anteriormente.

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