Relativamente à problemática da “Grande Fome de 1932-1933”, em particular na sua vertente ucraniana (“Holodomor”), tenho procedido à investigação das iniciativas políticas que visam o seu reconhecimento, enquanto acto de genocídio ou “meramente” como crime político. De acordo com as informações recolhidas, passo a referir as seguintes iniciativas:

ARGENTINA – Resolução do Senado: “Declaración rindiendo homenaje a las victimas de la hambruna provocada por el regimen sovietico en 1932 y 1933 en Ucrania” (n.º1278/03-17/09/2003) e a nova proposta de resolução do Senado: “Proyecto de Declaración rindiendo homenaje a las victimas provocadas por la hambruna artificial en Ucrania, al conmemorarse un nuevo aniversario” (n.º3659/05 -14/11/2005);

AUSTRÁLIA – Resolução do Senado: “Ukrainian Famine” (n.º 680 -31/10/2003);

BÉLGICA – Proposta de resolução da Câmara dos Deputados: “Proposition de résolution relative à la reconnaissance de la famine organisée en Ukraine par le régime stalinien” (n.º51-2034/1-27/10/2005) e a proposta de resolução do Senado :“Proposition de résolution visant à reconnaître la famine organisée en Ukraine par le régime stalinien” (n.º 3-452/1-20/04/2004);

CANADÁ – Resolução do Senado: “The Genocide of Ukrainians” (19/06/2003);

ESPANHA – Resolução do Parlamento Basco: “En recuerdo y condena del 70 aniversario de la hambruna genocida de Ucrania 1932-33” (01/10/2003) e a (não apreciada) proposta de resolução do Congresso dos Deputados:” Proposición no de Ley sobre el recuerdo y condena del 70 Aniversario de la Hambruna Genocida de Ucrania” (n.º 161/002269 – 16/09/2003);

E.U.A. – Resolução da Câmara dos Representantes: “Expressing the sense of the House of Representatives regarding the man-made famine that occurred in Ukraine in 1932-1933" (HR 356-20/10/2003) e a subsequente resolução: ”To authorize the Government of Ukraine to establish a memorial on Federal land in the District of Columbia to honor the victims of the manmade famine that occurred in Ukraine in 1932–1933” (HR 562 -16/11/2005). Resolução do Senado: “Expressing the sense of the Senate regarding the genocidal Ukraine Famine of 1932–33” (S. RES. 202 – 28/07/2003) remetida para a Comissão das Relações Externas;

ESTÓNIA – Resolução do Parlamento: “Riigikogu Avaldus” (20/10/1993);

FRANÇA (não apreciada) Proposta de resolução do Senado : “Proposition de Loi relative à la reconnaissance du génocide ukrainien de 1932 à 1933 (n.º 317-10/05/2001);

GEÓRGIA – Resolução do Parlamento: “On Perpetuation of the Memory of Victims of the Political Repressions/Genocide in Ukraine in 1932-1933” (20/12/2005);

HUNGRIA – Resolução da Assembleia Nacional: “Országgyűlési határozati javaslat az 1932-33. évi nagy ukrajnai éhínség 70. évfordulójára” (n.º 129/2003 – 26/11/2003);

ITÁLIA – Resolução da Câmara dos Deputados (no âmbito da 3.ª Comissão dos Negócios Estrangeiros e Comunitários):”Stalinismo, Unione delle Repubbliche Socialiste Sovietiche” (n.º 7/0038 -22/03/2004);

LITUÂNIA – Resolução do Parlamento: “Statement on the Commemoration of the Victims of Political Repressions and Famine/Genocide in Ukraine in 1932-1933” (24/11/2005);

POLÓNIA – Resolução do Senado: “W Sprawie Rocznicy Wielkiego Głodu na Ukrainie” (n.º 90 S -17/03/2006);

UCRÂNIA – Resolução do Parlamento:”Address of the Verkhovna Rada to the Ukrainian nation on commemorating the victims of Holodomor 1932-1933" (n.º 789-IV- 15/05/2003);

VATICANO – Mensagem do Papa João Paulo II no 70.º aniversário do “Holodomor” (23/11/2003);

CONSELHO DA EUROPA – Resolução da Assembleia Parlamentar: Need for international condemnation of crimes of totalitarian communist regimes” (n.º 1481-25/01/2006). Esta resolução inclui, entre as violações dos direitos humanos, a morte pela fome.

O.N.U.Joint Statement on the Great Famine of 1932-1933 in Ukraine (Holodomor)” (A/C.3/58/9 – 10/11/2003).

Joint statement by the delegations of Azerbaijan, Bangladesh, Belarus, Benin, Bosnia and Herzegovina, Canada, Egypt, Georgia, Guatemala, Jamaica, Kazakhstan, Mongolia, Nauru, Pakistan, Qatar, the Republic of Moldova, the Russian Federation, Saudi Arabia, the Sudan, the Syrian Arab Republic, Tajikistan, Timor-Leste, Ukraine, the United Arab Emirates, the United States of America, Argentina, the Islamic Republic of Iran, Kuwait, Kyrgyzstan, Nepal, Peru, the Republic of Korea, South Africa, the former Yugoslav Republic of Macedonia, Turkmenistan and Uzbekistan on the seventieth anniversary of the Great Famine of 1932-1933 in Ukraine (Holodomor).

UNIÃO EUROPEIA(não apreciada) Proposta de resolução apresentada pelo deputado Josu Ortuondo Larrea, do Partido Nacionalista Basco: “Propuesta de resolución del Parlamento Europeo sobre el 70 aniversario de la hambruna artificial en Ucrania” (B5‑0396/2003 – 01/09/2003);

 

Luís Ribeiro
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5 pensamentos sobre “

  1. Não houve nenhum genocídio, houve bastante instabilidade durante as colectivizações o que gerou fomes em diferentes pontos da URSS. As fotos já se provaram ser de 1921-1922…mais um embuste propagandístico.

    http://rouxinol.blogspot.com/

    Tenho 2 posts sobre o assunto.

  2. A fome que ocorreu em praticamente todo o território da União Soviética devido às colectivizações e à correspondente resistência dos kulaks, não se categoriza como genocídio, de maneira nenhuma.
    Qual a responsabilidade de Stanislav Kosior e Vlas Chubar nas ocorrências em comparação com as de Estaline? Ainda hoje se nega que muitos kulaks queimaram as colheitas como forma de protesto contra as colectivizações. Porquê?

    Censos oficiais

    População ucraniana

    1926 – 31,194,976

    1939 – 28,070,404

    Portanto houve um decréscimo de 3 milhões de pessoas em 13 anos. À equação temos que juntar a volga famine entre 1920 e 1922, ajudou a quebrar a taxa de natalidade de tal forma que em 1936, o governo vê-se forçado a proibir o aborto, para fazer aumentar o número de nascimentos.

    Para morrerem 3 milhões de pessoas fora dos padrões demográficos, em 13 anos, era preciso que o número de nados-vivos fosse igual ao número de mortos compreendidos nos padrões demográficos.
    1ª Hipótese
    10 milhões de mortos entre 1931 e 1933, como defende Yushchenko.

    IMPOSSÍVEL

    2ª Hipótese
    7.5 milhões de mortos entre 1931 e 1933.

    IMPOSSÍVEL

    3ª Hipótese
    4 milhões de mortos entre 1931 e 1933. Vamos investigar.
    Face ao panorama Ucrâniano, estamos a supôr que a população teve que aumentar 1 milhão em 13 anos, para matemáticamente, poderem morrer 4 milhões. Isso dá uma taxa de crescimento superior a 1 que já não faz muito sentido numa altura de fomes, epidemias, guerras e aborto livre até 1936.
    Em Portugal, entre 1991 e 2001, passou-se de 10 356 117 para 9 867 147. Ou seja, Portugal em anos prósperos, sem aborto, e com uma enorme imigração dos países das ex-colónias, diminue a população. Enquanto que a Ucrânia nos anos 30, com aborto livre, epidemias e guerras civis, consegue aumentar a população em 1 milhão em 13 anos.

    Muito Improvável

    Aconselho a leitura deste livro, sobre a história do “holodomor”.

    Podem sacar aqui

    Fraud, Famine and Fascism
    The Ukrainian Genocide Myth from Hitler to Harvard

    by Douglas Tottle

    Basicamente desmonta uma data de mentiras sobre o “holodomor”, sobretudo a parte fotográfica, onde o autor descobre que a maioria das fotos usadas nos media eram do periodo 1920-22.

    As imagens podem ver aqui

    Em suma, houve fomes fruto das colectivizações onde morreram pessoas. Mas, jamais aceitarei esse “show off” de números ideologicamente comprometidos, que não cabem no âmbito da matemática, nem da honestidade.

  3. Em relação a um certo profissional da desconversa e com esqueletos a abarrotar nos armários do totalitarismo vermelho – de seu nome Rouxinol ou DoutorMartins – só faço o seguinte comentário: manifesta paranóia conspirativa e sectarismo ideologicamente comprometido, que não cabe no âmbito da matemática, nem da honestidade.

    A propósito do pseudo-erudito Douglas Tottle, aqui vai o seguinte comentário lapidar:
    “An example of a late-era Holodomor objector is Canadian journalist Douglas Tottle, author of Fraud, Famine and Fascism: The Ukrainian Genocide Myth from Hitler to Harvard (1987). Tottle claims that while there were severe economic hardships in Ukraine, the idea of the Holodomor was fabricated as propaganda by Nazi Germany and William Randolph Hearst to justify a German invasion. Tottle is not a professional historian and his revisionist work did not receive any serious attention in the historiography of the subject.”

    http://en.wikipedia.org/wiki/Holodomor

  4. Relativamente aos comentários “eruditos” de Rouxinol, estes revelam uma preocupante carência de informação cientificamente aproveitável.
    Urge por isso combater o seu desconhecimento sobre o fenómeno historicamente complexo da fome-genocídio (Holodomor).
    Aconselho-o amigavelmente a ler mais, muito mais, mas sobretudo a ler autores dignos de atenção, devido às suas reconhecidas qualificações científicas.
    Alguns exemplos: Gerhard Simon, Andrea Graziosi, Stephane Courtois, Nicolas Werth, Etienne Thévenin, Orest Subtelny, Yurii Shapoval, Roman Serbyn, Stanislav Kulchytsky, Egbert Jahn, James Mace, Robert Conquest ou Ettore Cinella.
    Manifestamente não é o caso do publicista e ideologicamente comprometido Douglas Tottle. A sua obra “Fraud, Famine and Fascism. The Ukrainian Genocide Myth from Hitler to Harvard” tem – felizmente – a merecida irrevelância de todas as divagações que visam um único objectivo: negar às vítimas o direito à sua dignidade!

  5. Comprometimentos:
    Se um autor é comprometido ideologicamente essa é uma má razão?

    Para fazer investigação que eu saiba deve-se ser o mais imparcial possível, mas será que quando procuramos indicios do passado eles não nos desmentem?

    Dogmas, quem faz a investigação deve seguir para ela sem dogmas, e existe sempre uma opinião contrária, quando aceitamos de livre vontade o que nos apresentam, sem questionar estamos sem dúvida perante um processo de repetição de ideias pré concebidas.

    Quanto a autores dignos de atenção, devido às suas reconhecidas qualificações, logo aí estamos a ser selectivos.

    Sobre a fome na Ucrânia e outros assuntos, a campanha montada no Ocidente em relação à Ex-URSS, foi sempre feita em moldes ideológicos, numa luta que existiu e ainda hoje existe, o Império do Mal, como alguns lhe chamavam, onde muitas vezes se amplificou o que de facto acontecia, numerosos escritos mostram o que passava para lá da chamada “Cortina de Ferro”, mas de uma maneira imperceptível vem a propaganda dissimulada anti-soviética incluída.

    Quanto às tomadas de posição por parte de alguns parlamentos sobre a fome na Ucrânia, é caso para dizer que aproveitando o tema em questão se condena tudo o que foi feito na antiga União Soviética, e aí sim tenta-se misturar o trigo e joio.

    Ver de perto os documentos sempre dá outra impressão das coisas, temos pena que quando alguém que investiga e mostra outra visão, a intolerância aparece logo. Conta saber mais se a opinião ou descrição que o autor faz, se são crediveis as fontes utilizadas.
    Temos que ouvir os outros! Por muito que a sua opinião não nos agrade, chama-se a isto Democracia!

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