CARTAS AO DIRECTOR – Esclarecimento a Luís Filipe Rocha

1. Qualquer leitor atento concordará que há uma razoável diferença entre o que Luís Filipe Rocha disse e escreveu em 2000 e a sua intervenção na apresentação do 3.º volume da biografia política de Álvaro Cunhal. Não estamos pois perante “a simples reafirmação de uma opinião”.

2. Não fica bem a Luís Filipe Rocha fazer juízos de valor sobre qual seria, eventualmente, a minha opinião sobre algo que eu nem sequer comentei. Não estava em causa Janeiro de 2000, mas sim Novembro de 2005.

3. Não é meu hábito, nem nunca foi, lançar “anátemas” sobre quem quer que seja. Já estive várias vezes de acordo com Pacheco Pereira e não tive problema nenhum de consciência em o expressar no PÚBLICO. E não só.

4. Escolhi a citação de Luís Filipe Rocha por ser a que mais se aproximava do pensamento de Pacheco Pereira reflectido nos três volumes em causa. Podia ter sido qualquer outra de qualquer outra pessoa. Ou palavras minhas. Não vale a pena assumir postura de vítima de perseguição. Até porque isso não adianta nada ao debate de ideias.

5. Fui recrutado para o PCP por alguém que meses depois traiu miseravelmente quase todos os seus camaradas e amigos. Dezenas deles foram presos e brutalmente torturados em Maio/Junho de 1971. Houve, para só dar um exemplo, quem sofresse a “tortura do sono” 510 horas seguidas. Vinte um dias e vinte e uma noites (não, não é gralha). E não denunciou ninguém. Vários, entre os quais me incluo, tiveram de passar à clandestinidade.

6. Tudo isto consta da “historiografia oficial do PCP”. Portanto sobre hagiografia creio que estamos conversados. Até porque o tema do artigo não era só esse.
7. A questão essencial que o meu comentário aborda é a objectiva mistura que Pacheco Pereira faz entre o que é história e o que não passa de estórias. Bem como a sua quase permanente manifestação de um anticomunismo militante. De que, consciente ou inconscientemente, não se liberta.

António Vilarigues, Viseu

(Público, 11/1/2006)

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