jaevcarmo.jpgNo dia 12 de Fevereiro, pelas 17 horas, no Auditório da Biblioteca Municipal será lançado o livro Eu, meus senhores, amo a igualdade, Textos de João Azevedo do Carmo, ilustrados com fotografias de Augusto Cabrita.

O livro, de autoria de um antigo militante comunista do Barreiro, é apresentado por Vanessa Almeida:

“A CMB, no âmbito do projecto Barreiro no Tempo, procede à edição de uma antologia de poemas de João Azevedo do Carmo, à qual foi dado o título de Eu, meus senhores, amo a igualdade, e cuja responsabilidade editorial é das duas filhas do autor, Isabel do Carmo e Maria Fernanda Fráguas. A obra dada à estampa conta ainda com uma série de testemunhos de muitos que privaram com o autor: Augusto Cabrita, Isabel do Carmo, Maria Fernanda Fráguas, Helder Fráguas e Barbara Lopes, sendo ilustrada por fotografias do seu sobrinho, A. Cabrita, um dos principais nomes da fotografia nacional, testemunhos esses que permitem um conhecimento do homem-poeta que foi João Azevedo do Carmo.

Natural do Barreiro, nasceu em 1899, na zona do Barreiro Antigo. Ferroviário de profissão, João Azevedo do Carmo iria colaborar de forma estreita com vários jornais locais, como sejam o «Acção», o «Acção Nacionalista» e o «Eco do Barreiro», onde foram publicados muitos dos poemas presentes nesta antologia, mas também onde o autor iria publicar vários artigos de opinião e críticas de música, teatro e cinema.
Publicista, João Azevedo do Carmo seria também um activo participante na vida associativa do Barreiro, sócio dos «Franceses», «Penicheiros» e ainda do Clube 22 de Novembro, onde actuou muitas vezes, sendo ainda co-fundador do Clube Naval Barreirense. Viria ainda a desempenhar o cargo de secretário na Sociedade Esperantista Operária Barreirense. Em termos políticos, integrou a Comissão Concelhia de apoio à candidatura de Norton de Matos em 1949, assim como as estruturas locais do MUD. Após o 25 de Abril iria poder assumir em liberdade a sua condição de militante do PCP. Como refere a sua filha, Maria Fernanda Fráguas, «Atravessou os longos tempos da injustiça, da mediocridade ousando, coerentemente, nunca renunciar aos seus ideais, lutando por eles com a maior dignidade e as suas inultrapassáveis delicadeza e elegância.
A sua vida foi longa e nunca se demitiu da intervenção social, do seu desejo de ajudar os outros.»
A delicadeza e elegância que todos os testemunhos sublinham serão também a nota dominante da poesia de João Azevedo do Carmo.
O leitor é convidado a conhecer a sua obra poética através de pequenos intróitos da autoria de Isabel do Carmo, que contextualiza a obra do autor no Portugal e no Barreiro do tempo, de 1918 a 1985. Dá a conhecer a época mas também o espírito. E o leitor é levado a comprová-lo através da poesia daquele que se viria a definir a si próprio como “operário das letras”. Embora se denote uma evolução em termos formais (patente, também, através das “actualizações” levadas a cabo pelo autor sobretudo durante as décadas de 70/80), onde o lirismo da década de 20 e o que Bárbara Lopes definiu como “influências livrescas”, tende a dar lugar a uma escrita mais empenhada, distante dos denaveios de jovem poeta, situação que se verifica sobretudo após o 25 de Abril. Ainda assim, não podemos deixar de assinalar a continuidade de alguns temas, os quais, em última instância, traduzem os valores pelos quais João Azevedo do Carmo guiou toda a sua vida: o amor, a amizade, o respeito pelo próximo, a liberdade, temas que têm quase sempre como pano de fundo o Barreiro.
Com a publicação desta antologia faz-se assim a justa homenagem a quem sempre lutou pelo Barreiro e pelos interesses dos barreirenses, como aconteceu por exemplo em 1929, ao defender a necessidade de uma escola industrial. Ou em 1940, pela criação de uma Biblioteca-Museu. Trata-se assim de recuperar a memória de um homem que, e tal como escreve Isabel do Carmo, «foi uma figura de grande honestidade intelectual e cívica, que amou o Barreiro e à terra deu o que pôde, que era muito».

(Vanessa Almeida)

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