São-me pedidas informações sobre o “estado” do III volume da biografia política de Cunhal, sobre a qual tenho trabalhado nos últimos anos. Aqui segue uma lista provisória dos títulos dos capítulos, que pode dar uma ideia do conteúdo final do volume. Os capítulos 1, 2, 3, 4, 5, 6, 11, e 15 estão praticamente encerrados. Os outros estão em fases distintas de acabamento e os capítulos 13 e 14 bastante atrasados.

ÁLVARO CUNHAL – O PRESO (1949-1960)

(todos os títulos são também provisórios)

1 – O choque: da prisão ao julgamento

2 – Os anos mais duros (1949-52): os expulsos, os “traidores” e os mortos

3 – O PCP sozinho

4 – Cunhal na Penitenciária: “a estrela de seis pontas”

5 – Estratégias contra a solidão: ler , escrever e desenhar

6.- A purga dos intelectuais

7 – A continuação das purgas

8 – Fogaça e Cunhal à distância

9 – Cunhal em Peniche (1956-60)

10 – O PCP à luz de Krutchov e o combate ao “sectarismo”

11 – V Congresso (1957)

12.- A emergência da questão colonial

13 – O “furacão” Delgado

14 – Depois de Delgado

15. – A fuga de Peniche

Como aconteceu já com os outros volumes, cada período cronológico da biografia tem problemas próprios. No caso destes anos existem dois tipos de problemas: um diz respeito ao processo narrativo e pode ser resumido nesta questão – como é que se escreve um texto sobre um homem que está preso e tem os seus gestos rigidamente controlados e repetitivos? Trinta páginas chegam para descrever o quotidiano de um preso e há que encontrar mecanismos para ligar essa aparente (e real) monotonia de gestos com o fio de uma “vida”. O segundo problema é que estes anos 1949 – 1960 são “malditos” na história oficial do PCP por várias razões contraditórias – o “sectarismo”, primeiro, e depois o que veio a ser conhecido como o “desvio anarco-liberal” e por isso são muito pouco conhecidos e estudados. Mais importante: a memorialistica em que o PCP é fértil, ilude quase completamente a política neste período, concentrando-se nas “lutas” e na repressão, o que dificulta muito saber-se o que realmente se passou. Acresce que, enquanto nos anos trinta, havia uma direcção relativamente concentrada e com uma cadeia de comando facilmente definida, os anos cinquenta são os mais confusos, entre as purgas, expulsões e decisões contraditórias.

Anúncios

6 pensamentos sobre “

  1. Coragem, caro JPP!
    É uma obra cuja ambição me parece que lhe tem vindo a crescer e talvez esteja a ficar desmedida, maior que você próprio, mas talvez você nos prove que consegue alcançá-la!
    E se o conseguir, será certamente a obra por que ficará conhecido.
    Coragem!

  2. Olá, é só para divulgar o site do CARAPAU – O FÓRUM SUBVERSIVO: http://www.carapau.pt.vu

    visitem e inscrevam-se e fiquem bem! 🙂

    satantec (comunismo não é utopia!)

    ps:Um site para quem acredita que o comunismo não é para estudar, mas para fazer!

  3. Rafael Littman

    Caro JPP

    Penso que o pior que poderia acontecer à obra em causa era ser editada “ em cima do joelho”.
    Por isso, demore o tempo que tiver que demorar.
    Não lhe escondo que é sempre um prazer ver a esquerda “intelectual” acorrer às livrarias e, com um ar envergonhado ( porque será !?), comprar qualquer um dos volumes anteriores.
    E o silêncio do PCP!, é “ musica para os nossos ouvidos” …

    Rafael Littman

  4. JoséJoão Pais

    Caro Pacheco Pereira
    Tenho lido com atenção os seus escritos que me causam bastante prazer, porque também sou um curioso das actividades clandestinas durante o antigo regime.
    Vivendo em Alpiarça senti neneccidade de escrever sobre dois temas em que esta terra ébastante conhecida. O ciclismo e a actividade política. Sobre o ciclismo já editei “A História do Ciclismo em Alpiarça” desde 1890 até aos nossos dias, tendo entretanto escrito um outro de natureza diferente, que trata das lutas politicas ocorridas no ínicio do século, durante a 1ªRepublica, pela posse da freguesia de Vale de Cavalos e que teve como protagonistas principais, José Relvas, por Alpiarça e o Dr. Rafael Duque, pela Chamusca, o outro concelho que disputava a referida freguesia. Neste momento estou dedicada a escrever sobre a actividade política em Alpiarça, desde as lutas liberais (Passos Manuel que aqui viveu,passando pela chmada propaganda republicana, que aqui teve um impacto enorme como sabe, passando por muitas outras situações até chegar aos tempos áureos da intervenção do Partido Comunista em Alpiarça, desde o principio do Estado Novo. Há histórias interessantíssimas para contar,ou pelo menos para dar a conhecer aos outros. Estou a trabalhar nesse livro, estando numa fase adiantadíssima. Vamos lá a ver o que sai. O objectivo é que a memória não se perca, não só das coisas boas, mas também das coisas más. A história será isto tudo. Claro que não sou um escritor com esse dom que nem todos têm para conseguirem atingir um patamar mais acima, do que aquele onde estou. Quero no entanto dar o meu contributo, para que outros com mais sapiência, possam ter um ponto de partida.
    Cumprimentos e força.

  5. Estava a pensar que completava a coleção em Novembro pelos meus anos, agora já nem vou poder colocar o volume no meu sapato de Natal, só já espero viver o suficiente para conseguir ler toda a obra!
    O que dirá o nome Victor Kravenko aos intelectuais, de esquerda, portugueses e não só?
    Foi o primeiro dissidente da URSS, que publicou um livro em Nova YorK, aturou os intelectuais franceses de esquerda em tribunal.
    Isto passava-se em 1945/46 o homem, alto funcionario sovietico, deu bastante à lingua sobre o paraiso sovietico! os nossos comunistas não liam o jornal, por isso nada sabiam sobre
    o paraiso………………………………….

  6. António Vilarigues

    “Acresce que, enquanto nos anos trinta, havia uma direcção relativamente concentrada e com uma cadeia de comando facilmente definida, os anos cinquenta são os mais confusos, entre as purgas, expulsões e decisões contraditórias.” A realidade do PCP segundo JPP? Sonho de JPP ou realidade? Não havia CC? E secretariado do CC? E organismos regionais? E etc.?
    “Mais importante: a memorialistica em que o PCP é fértil, ilude quase completamente a política neste período, concentrando-se nas “lutas” e na repressão, o que dificulta muito saber-se o que realmente se passou”. JPP leu (estudou) os “Avante!”, “O Militante” e outra publicações e relatórios ao CC desse período?

Os comentários estão fechados.