A CM do Barreiro atribuiu a Florentino Alves Rodrigues o galardão , a tÃtulo póstumo, do “Barreiro reconhecidoâ€. Junto se inclui um esboço da biografia do militante comunista e opositor de autoria da DIRP da autarquia.
Resistência anti-fascista: Florentino Alves Rodrigues
Solidário, fraterno e resistente. Estas três palavras ajudam a caracterizar o cidadão Florentino Alves Rodrigues, nascido no Barreiro em 11 de Junho de 1911 e que pautou a luta de toda a sua vida por uma postura feita de descrição, humildade e solidariedade pura.
Durante toda a sua vida fez questão de manter no seu Ãntimo todos os gestos, para si naturais, de solidariedade, de combate à injustiça social e de participação na construção de um paÃs mais justo, mais fraterno e mais desenvolvido. E fê-lo em cada dia, em cada solicitação dos tempos mais conturbados. Num exercÃcio de cidadania exemplar e desinteressado.
É por isso que, em respeito pela vontade do homem que homenageamos, deixamos que a memória de todos os que o conheceram sirva como testemunho verdadeiro do seu papel na construção desta cidade.
Contudo, não podemos deixar de referir alguns factos que constituem pontos de referência na seu percurso e ajudam a compreender a vida de um homem exemplar.
Florentino Rodrigues ingressa muito novo na Companhia União e Fabril e aos 15 anos é já encarregado de um dos sectores ligados à área têxtil da empresa. Faz um percurso linear e consegue uma posição segura tendo em conta a conjuntura social dos anos 30 no Barreiro.
A sua personalidade forte, independente, justa e solidária leva a que seja detido pela PVDE em 5 de Fevereiro de 1934 situação que se repete em 25 de Outubro do mesmo ano por, alegadamente, possuir propaganda subversiva. Esta situação leva ao seu afastamento da CUF e à criação da Agência Funerária que, com enormes dificuldades, constitui o suporte da famÃlia. Os tempos são duros. O medo e a discriminação social provocados pelas detenções obriga cada resistente a traçar o seu próprio caminho. E Florentino resiste e mantém a sua determinação, as suas convicções e sua forma natural de ser solidário.
Compreende o quanto sofrem todos os que passaram por situações semelhantes à sua e auxilia- os. Sempre e ao longo de toda a sua vida. Em 1958, no decorrer da campanha de Humberto Delgado, às quais não estava directamente ligado, é novamente detido, desta vez, e segundo os registo da PVDE, por actividades subversivas. Recolhe a Caxias depois do interrogatório e é libertado em Julho de 1958.
Fazendo sempre ponto de honra na sua independência partidária e evitando a auto- promoção tem um papel fundamental nos núcleos informais que levam à criação do Partido Socialista, muito pela forte ligação aos antigos republicanos do Barreiro como Manuel Cabanas.
Os muitos amigos falam do homem muito culto e extremamente dedicado que tudo quanto tomava em mãos levava a sério e até o fim. Um homem meticuloso que foi considerado um dos maiores filatelistas portugueses e deixou fortes amizades, nomeadamente no Brasil para onde viajava amiúde a rever amigos com os quais partilhava um interesse profundo pela polÃtica e pela evolução do mundo.
Depois de um vida movida pela energia, pela resistência e por um solidariedade profunda, em, Fevereiro de 1991, o Barreiro perdeu um amigo, um cidadão frontal e firme.