MEMÓRIAS DO 1968 AMERICANO

9/Junho/2008 by JPP

Irving Wardle, The Chicago Conspiracy , Swans Commentary

Peter Byrne, Big Dumpling’s Shock And Awe: Mayor Daley’s Chicago, Swans Commentary

Charles Marowitz, Expats’ Chicago: London, 1968, Swans Commentary

Michael Doliner, Three Memories of Chicago 1968, Swans Commentary

PUBLICAÇÃO DO DIÁRIO DA BATALHA DE PRAGA (1968) DE FLAUSINO TORRES

24/Maio/2008 by JPP

Fragmento do Prefácio de Fernando Rosas do livro póstumo de
Flausino Torres, Diário da Batalha de Praga, texto inédito escrito em 1968, agora editado pelas Edições Afrontamento com apresentação e notas de Paulo Torres Bento.

“(…) este Diário… é o de uma “Batalha”, batalha não só do povo checoslovaco contra o invasor e as forças obscuras que reemergiram da sombra e do passado recente para barrar o “novo curso” de Dubcek e da sua equipa de “reformadores”. Batalha também, e para tantos decisiva e derradeira, de muitos militantes comunistas portugueses (desde logo os exilados nos países do leste) pela coerência de um ideal que deles e das suas vidas tinha feito quase tudo o que eram, um ideal que sentiam resgatado, renascido, pelo “socialismo de rosto humano”anunciado pela “Primavera de Praga”, isto é, pelas mudanças operadas na direcção e no programa do PC da Checoslováquia a partir de Janeiro de 1968, quando Dubcek, a face da mudança, assume a direcção do partido, e na prática, do Estado. Batalha que mobiliza totalmente o intelectual comunista Flausino Torres, então leitor de Cultura e Língua portuguesa na Universidade de Karlova, em Praga, e vários dos seus camaradas de um exílio feito de muitas dúvidas e desilusões com a experiência do “socialismo real”. Estava ali, afinal, a alternativa, o reencontro do socialismo consigo próprio, com o que entendiam, como nestes textos nos dá conta Flausino Torres, ser a sua essência de humanitarismo, democracia, participação operária e cidadã, liberdade, independência nacional, dignidade, em suma. Por tudo isto, combate que os faz chocar de frente, e no caso de Flausino usando uma violência verbal e escrita sem precedentes, com a direcção do PCP e o próprio Álvaro Cunhal, designadamente numa decisiva e tempestuosa reunião que se realiza, em Novembro de 1968, em Praga, da qual resultará o seu afastamento das fileiras do partido em que militava desde o final dos anos trinta. (…).

HEMEROTECA MUNICIPAL DE LISBOA: ANIVERSÁRIO DA CAMPANHA ELEITORAL DE 1958

22/Maio/2008 by JPP
fonte: Hemeroteca Municipal de Lisboa

Campanha Eleitoral em Lisboa (1958 )

Assinala-se este ano o Cinquentenário das Eleições Presidenciais de 1958, com a comemoração da candidatura do general Humberto Delgado, que, em Maio daquele ano, representou uma expectativa de mudança política para grande parte da população portuguesa. A CML, através da Direcção Municipal de Cultura, associa-se a estas comemorações com um programa conjunto de actividades, com contributos diversos dos seus equipamentos e serviços, direccionados sobretudo para a evocação histórica da campanha eleitoral realizada pelo General sem Medo em Lisboa. A Hemeroteca Municipal participa neste programa com a produção, a digitalização e a disponibilização em linha de um conjunto de documentos e conteúdos importantes para o conhecimento dumas eleições que, por pouco, não derrubavam o regime. Veja, aqui, o que esta biblioteca preparou para si e fique a saber um pouco mais sobre o impacto destas eleições na imprensa da época, sobretudo no jornal República, numa altura em que até os protestos contra a censura são… censurados.

AUTORIA E CIRCUNSTÂNCIAS DAS FOTOS DA CARGA POLICIAL DE 12 DE JULHO DE 1973 NA TAP

20/Maio/2008 by JPP

Na nota que acompanhava as fotografias da intervenção policial, o leitor Castello Branco referia que estas se encontravam entre os papéis de seu pai, e que, não tendo a certeza de que fora ele que as tirara, sabia que o tinham sido com a sua câmara fotográfica. Para completar a história destas fotos, cuja importância vem não só de documentarem o que aconteceu nesse dia na TAP, mas também da raridade de registos de imagens de actos de repressão do regime ditatorial, o seu autor Francisco Santos Costa, que trabalhava então na empresa, enviou-me um depoimento sobre o contexto em que foram tiradas as fotografias. Agradeço a Francisco Santos Costa o seu testemunho.

Efectivamente o senhor João Castello Branco, (…) não foi quem as tirou, mas sim eu próprio embora a maquina fosse pertença sua.

O Sr Castelo Branco era na altura meu chefe e trabalhávamos num pequeno gabinete interior do edifico 25 no aeroporto, no qual arriscávamos ouvir as emissões em AM da BBC num pequeno rádio de pilhas, obviamente sobre minha instigação, resultado do meu jovem e rebelde comportamento contra o poder constituído. Na altura teria 23 ou 24 anos!

(…) Ora quando em 1973 começou a convulsão na TAP, por receio, não quis dar-lhe a conhecer algum envolvimento naquele movimento e no dia em que a policia de choque entrou pelas instalações do aeroporto, como não tinha comigo a minha CANON, pedi-lhe por tudo para me emprestar a dele que eu sabia estar no seu carro.

Com grande esforço lá me deu as chaves e fui buscar a máquina.

Foi nesse preciso momento que contra a sua vontade e opinião desfavorável de muitos outros colegas da Direcção de Finanças de Conferência de Tráfego, fui de máquina em punho para um dos gabinetes que davam para o exterior do 5º andar do Edifício 25 e gastei o resto do rolo obtendo as imagens da carga policial exactamente quando se iniciou.

Nessa altura os colegas, na maioria mulheres, foram picados por mim a manifestarem a sua revolta perante tamanha brutalidade e iam arremessando pela janela fora os agrafadores, cinzeiros, tabuleiros, tudo o que havia em cima das secretárias na tentativa de acertarem nos polícias.

A revolta apoderou-se daquela gente que entretanto se tornou em medo quando entrou um dos chefes mais ferozes a mandar todos para as secretárias saindo eu da sala com a máquina enfiada dentro da camisa debaixo do sovaco.

(…) Retirei o rolo e guardei-o dentro de um aparelho de ar condicionado durante alguns meses.

O mais caricato é o facto de terem sido reveladas em Angola com a ajuda de uma colega comum que lá se deslocou pois aí sabíamos que a pressão destas coisas era menor.

Fizeram-se duas cópias: Uma para mim ( ainda as tenho ) e outras para o Castello Branco que devem ser essas que muito oportunamente (…) publicou.

Posteriormente viriam a fazer parte da ilustração do “Livro Branco da TAP” editado pelo Sindicato da Marinha Mercante.

Orlando Fernandes - TESTEMUNHO DOS ACONTECIMENTOS DE 12 DE JULHO DE 1973 NA TAP

14/Maio/2008 by JPP

Como a revisão do Acordo Colectivo de Trabalho Tap/Sindicatos se arrastava sem fim à vista e sem resultados visíveis, os sindicatos maioritários (Metalúrgicos e Administrativos da Aeronavegação e Pescas) convocaram um Plenário Geral de Trabalhadores, para a sede da Voz do Operário para 11 de Julho às 18 horas. Quando chegámos ao Largo da Graça já havia aglomeração porque a polícia tinha cortado o trânsito pedestre em volta da Voz do Operário. Como me deslocava numa pequena vespa 50, fui incumbido de ir ver o que se passava do outro lado. A polícia em frente à sede, identificava moradores e todos os peões. De regresso ao Largo da Graça, em presença da situação, foi decidido fazer de imediato, uma manifestação na aerogare. Dado que os trabalhadores se deslocavam em transportes diversos, a manifestação ia engrossando na aerogare. Quando atingia perto da centena, foi corrida à bastonada, houve vidros partidos e a consequente dispersão.

Ficou lançado o rastilho, que no dia seguinte passou de boca em boca, até à hora do almoço, findo o qual se faria uma concentração em frente ao edifício da administração. É claro que os primeiros a almoçar foram os operários da ganga azul e como tal foram os primeiros a tomar lugar na concentração, que não teve grande enchente, porque passados 20 minutos a meia hora, já tinha a companhia dum pelotão da polícia de choque, como demonstram as fotografias.

Eles não atacaram de imediato, formaram em diversas posições para medir forças, tanto que se vêem trabalhadores descontraídos em volta pensando que não era nada com eles, (mas levaram bastonadas). Quando dum megafone suou a ordem de 3 minutos para dispersarmos, caiu-lhes em cima uma chuva de pedras e inclusivamente uma máquina de escrever vinda do edifício 25. Dispararam vários tiros, mesmo dentro da oficina de motores, onde um colega ficou bastante mal tratado.

Muitos de nós tínhamos vindo da guerra colonial e não nos amedrontávamos facilmente, por isso reorganizámo-nos em pequenos grupos e provocávamos-los, chamando-os nomeadamente para o hangar 4, onde tínhamos um carro de pressão de skydrol (líquido altamente corrosivo) para lhes dar banho, mas os esbirros deviam estar avisados. Convém esclarecer que a polícia envolvida, não era somente os que se vêem na fotografia, havia polícia de mota que fazia incursões contra resistentes e disparavam tiros, que deixaram marcas por cima da porta do grupo desportivo, por onde os trabalhadores se escapavam.

Com a entrada do turno das 4 da tarde, a luta física acabou, mas a presença da polícia manteve-se mais dois dias, discretamente, atrás duns armazéns.

MATERIAIS SOBRE A CARGA POLICIAL EM 1973 NA TAP (2)

14/Maio/2008 by JPP

No Avante! de Setembro de 1973

Descrição dos eventos:

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MATERIAIS SOBRE A CARGA POLICIAL EM 1973 NA TAP (1)

14/Maio/2008 by JPP

De um comunicado do MRPP:

Descrição dos eventos:

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IMAGENS DA CARGA POLICIAL DE 12 DE JULHO DE 1973 NA TAP

14/Maio/2008 by JPP

Publicam-se aqui as fotografias da carga policial do dia 12 de Julho de 1973 nas oficinas da TAP, originalmente publicadas com a nota que reproduzo aqui , (tratadas digitalmente por Tiago Azevedo Fernandes, a quem agradeço):

Estas imagens são raríssimas na história da ditadura, onde se contam pelos dedos da mão as fotos de greves, manifestações e das cargas policiais, por razões óbvias: a polícia se soubesse que estava a ser fotografada prenderia e maltrataria o fotógrafo. Isso aconteceu na campanha de Delgado. Para além disso não era tão fácil fotografar como agora, as máquinas eram maiores e pouco portáteis e ficava por resolver o problema da revelação das películas, uma actividade também perigosa para fotografias “proibidas”. Este é um dos aspectos de uma censura retrospectiva eficaz, que da ditadura veio para a democracia: não há imagens, não há os acontecimentos, ou os acontecimentos são débeis sem a força das imagens

Um leitor do Abrupto, Castello Branco, enviou-me uma série de fotografias que são históricas e que são parcialmente inéditas (algumas foram divulgadas na cronologia da Associação 25 de Abril.) . Foram tiradas pelo seu Pai:

“Sabia que as tinha, mas não em que baú. Encontrei-as e envio-lhas porque sei que é um interessado nestas coisas. Tratam-se de fotografias dos anos 70, entre 70 e 74, não posso precisar, que foram tiradas de um dos edifícios administrativos da TAP nas instalações da Portela, julgo que pelo meu Pai, que lá trabalhava, ou por algum colega mais atrevido para as circunstâncias da época. A máquina era dos anos 50, uma ADOX, com lente dentro de fole retráctil, que ainda possuo comigo. ” Embora não estejam datadas elas são da intervenção policial de 12 de Julho de 1973, quando da greve na TAP.

Posteriormente recebi de vários leitores da TAP informações suplementares incluindo um testemunho de um dos trabalhadores atacados pela polícia (”eu estive no grupo de pessoas que enfrentou aquela secção de policia de choque, e mantenho bem vivo esse capítulo da história que culminou a 25 de Abril de 1974“) e uma identificação do edifício e andar de onde foram tiradas:

“procedi, por razões obvias, à análise das fotos (…) e cheguei à conclusão de que as ditas foram tiradas, sem dúvida, a partir do “Edifício 25″, muito provavelmente no 7.º andar (nunca no 8.º que é - ao tempo já era - o da administração).” (João Calixto Bello)

A sequência provável das das fotos:

A seguir reproduzem-se em tamanho real as fotos originais e o destaque.

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A INTERNACIONAL NUM FOLHETO DE PUBLICIDADE

14/Maio/2008 by JPP

(Informação de José Marques.)

MAIO DE 1968 NA BIBLIOTECA PÚBLICA DE BRAGA

12/Maio/2008 by JPP
fonte: BP Braga

SOUS LES PAVÉS, LA PLAGE

Maio de 68 na Biblioteca

Na sua secção Destaque, a Biblioteca Pública de Braga apresenta até ao fim do mês uma pequena mostra bibliográfica relativa ao Maio de 68 em França, incluindo alguns textos inspirados pela revolta.

As obras publicadas em Portugal naquele ano e nos subsequentes, de que a seguir se apresenta a listagem, constaram todos da lista dos “Livros proibidos no regime fascista”, por isso a sua circulação foi restrita.

Já na década de 70, em ensaio de António José Saraiva, “Maio e a crise da civilização burguesa” suscitou forte polémica, bem como um outro ensaio de Maio de Sottomayor Cardia sobre o tema.

As crises estudantis que à época se viveram, sobretudo em Coimbra e Lisboa, mostraram igualmente alguns títulos que se podem observar no local.

A exposição completa-se com algumas revistas francesas e portuguesas actuais que dedicaram dossiers ao tema, bem como com as capas de 2 CDs que nos recordam as canções que então mais se ouviram.

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