Arquivos para a Categoria ‘Vários’

Orlando Fernandes - TESTEMUNHO DOS ACONTECIMENTOS DE 12 DE JULHO DE 1973 NA TAP

14/Maio/2008

Como a revisão do Acordo Colectivo de Trabalho Tap/Sindicatos se arrastava sem fim à vista e sem resultados visíveis, os sindicatos maioritários (Metalúrgicos e Administrativos da Aeronavegação e Pescas) convocaram um Plenário Geral de Trabalhadores, para a sede da Voz do Operário para 11 de Julho às 18 horas. Quando chegámos ao Largo da Graça já havia aglomeração porque a polícia tinha cortado o trânsito pedestre em volta da Voz do Operário. Como me deslocava numa pequena vespa 50, fui incumbido de ir ver o que se passava do outro lado. A polícia em frente à sede, identificava moradores e todos os peões. De regresso ao Largo da Graça, em presença da situação, foi decidido fazer de imediato, uma manifestação na aerogare. Dado que os trabalhadores se deslocavam em transportes diversos, a manifestação ia engrossando na aerogare. Quando atingia perto da centena, foi corrida à bastonada, houve vidros partidos e a consequente dispersão.

Ficou lançado o rastilho, que no dia seguinte passou de boca em boca, até à hora do almoço, findo o qual se faria uma concentração em frente ao edifício da administração. É claro que os primeiros a almoçar foram os operários da ganga azul e como tal foram os primeiros a tomar lugar na concentração, que não teve grande enchente, porque passados 20 minutos a meia hora, já tinha a companhia dum pelotão da polícia de choque, como demonstram as fotografias.

Eles não atacaram de imediato, formaram em diversas posições para medir forças, tanto que se vêem trabalhadores descontraídos em volta pensando que não era nada com eles, (mas levaram bastonadas). Quando dum megafone suou a ordem de 3 minutos para dispersarmos, caiu-lhes em cima uma chuva de pedras e inclusivamente uma máquina de escrever vinda do edifício 25. Dispararam vários tiros, mesmo dentro da oficina de motores, onde um colega ficou bastante mal tratado.

Muitos de nós tínhamos vindo da guerra colonial e não nos amedrontávamos facilmente, por isso reorganizámo-nos em pequenos grupos e provocávamos-los, chamando-os nomeadamente para o hangar 4, onde tínhamos um carro de pressão de skydrol (líquido altamente corrosivo) para lhes dar banho, mas os esbirros deviam estar avisados. Convém esclarecer que a polícia envolvida, não era somente os que se vêem na fotografia, havia polícia de mota que fazia incursões contra resistentes e disparavam tiros, que deixaram marcas por cima da porta do grupo desportivo, por onde os trabalhadores se escapavam.

Com a entrada do turno das 4 da tarde, a luta física acabou, mas a presença da polícia manteve-se mais dois dias, discretamente, atrás duns armazéns.

MATERIAIS SOBRE A CARGA POLICIAL EM 1973 NA TAP (2)

14/Maio/2008

No Avante! de Setembro de 1973

Descrição dos eventos:

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MATERIAIS SOBRE A CARGA POLICIAL EM 1973 NA TAP (1)

14/Maio/2008

De um comunicado do MRPP:

Descrição dos eventos:

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IMAGENS DA CARGA POLICIAL DE 12 DE JULHO DE 1973 NA TAP

14/Maio/2008

Publicam-se aqui as fotografias da carga policial do dia 12 de Julho de 1973 nas oficinas da TAP, originalmente publicadas com a nota que reproduzo aqui , (tratadas digitalmente por Tiago Azevedo Fernandes, a quem agradeço):

Estas imagens são raríssimas na história da ditadura, onde se contam pelos dedos da mão as fotos de greves, manifestações e das cargas policiais, por razões óbvias: a polícia se soubesse que estava a ser fotografada prenderia e maltrataria o fotógrafo. Isso aconteceu na campanha de Delgado. Para além disso não era tão fácil fotografar como agora, as máquinas eram maiores e pouco portáteis e ficava por resolver o problema da revelação das películas, uma actividade também perigosa para fotografias “proibidas”. Este é um dos aspectos de uma censura retrospectiva eficaz, que da ditadura veio para a democracia: não há imagens, não há os acontecimentos, ou os acontecimentos são débeis sem a força das imagens

Um leitor do Abrupto, Castello Branco, enviou-me uma série de fotografias que são históricas e que são parcialmente inéditas (algumas foram divulgadas na cronologia da Associação 25 de Abril.) . Foram tiradas pelo seu Pai:

“Sabia que as tinha, mas não em que baú. Encontrei-as e envio-lhas porque sei que é um interessado nestas coisas. Tratam-se de fotografias dos anos 70, entre 70 e 74, não posso precisar, que foram tiradas de um dos edifícios administrativos da TAP nas instalações da Portela, julgo que pelo meu Pai, que lá trabalhava, ou por algum colega mais atrevido para as circunstâncias da época. A máquina era dos anos 50, uma ADOX, com lente dentro de fole retráctil, que ainda possuo comigo. ” Embora não estejam datadas elas são da intervenção policial de 12 de Julho de 1973, quando da greve na TAP.

Posteriormente recebi de vários leitores da TAP informações suplementares incluindo um testemunho de um dos trabalhadores atacados pela polícia (”eu estive no grupo de pessoas que enfrentou aquela secção de policia de choque, e mantenho bem vivo esse capítulo da história que culminou a 25 de Abril de 1974“) e uma identificação do edifício e andar de onde foram tiradas:

“procedi, por razões obvias, à análise das fotos (…) e cheguei à conclusão de que as ditas foram tiradas, sem dúvida, a partir do “Edifício 25″, muito provavelmente no 7.º andar (nunca no 8.º que é - ao tempo já era - o da administração).” (João Calixto Bello)

A sequência provável das das fotos:

A seguir reproduzem-se em tamanho real as fotos originais e o destaque.

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A INTERNACIONAL NUM FOLHETO DE PUBLICIDADE

14/Maio/2008

(Informação de José Marques.)

ARQUIVOS DOS ANOS SESSENTA: A RÁDIO E O “MOMENTO”

12/Maio/2008

Sobre a importância dos arquivos da rádio como instrumentos de uma história “imediata”, apanhando o “momento” antes da lenda e da história, este artigo sobre o projecto do Pacifica Radio Archives no Daily News, 5 de Maio de 2008:

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DOCUMENTOS INÉDITOS SOBRE O “BOLCHEVISMO” EM 1919 EXISTENTES NO ARQUIVO JOSÉ RELVAS (NA CASA DOS PATUDOS, ALPIARÇA) (3)

10/Maio/2008

Lista de “bolcheviquistas” residentes em Espanha, comunicada pelas informações militares ao Primeiro-ministro José Relvas, em 10 de Fevereiro de 1919. Essa lista de nomes inclui espanhóis, russos, alemães, polacos e austríacos.

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DOCUMENTOS INÉDITOS SOBRE O “BOLCHEVISMO” EM 1919 EXISTENTES NO ARQUIVO JOSÉ RELVAS (NA CASA DOS PATUDOS, ALPIARÇA) (2)

10/Maio/2008

Carta anónima com ameaças a José Relvas e à sua família caso não libertasse os presos políticos. José Relvas era, à data de Fevereiro de 1919, Primeiro-ministro.

Nota de João Bonifácio Serra:

Os documentos que aqui são agora divulgados são do curto período em que José Relvas chefiou o Governo, acumulando com a pasta do Interior. Estava-se em Janeiro de 1919, Sidónio Pais tinha sido morto em Dezembro do ano anterior. A situação interna é muito instável. Relvas forma um governo de coligação (partidos republicanos, sidonistas moderados e socialitas) com duas metas: participar nas negociações internacionais sbsequentes ao armistício e apaziguar a situação política interna. Estes objectivos foram bem sucedidos. Mas Relvas queria pôr de pé uma bipolarização da vida política da República, um projecto que acarinhara desde antes da Guerra. Antes do fim de Março, embora tivesse obtido a dissolução do parlamento e a convocação de eleições, verificou que o quadro partidário iria permanecer identico ao que vigorara até 1917, e decidiu demitiu-se.

MAIS MATERIAIS DE “POPOLOGIA” (MARÇO 1968)

5/Maio/2008

Os filmes “pop”.

Ver Luís Pinheiro de Almeida - CONTRA-CULTURA POP NA AAFDL EM MARÇO DE 1968

Luís Pinheiro de Almeida - CONTRA-CULTURA POP NA AAFDL EM MARÇO DE 1968

5/Maio/2008

(No fim do texto reprodução do programa integral.)

“Os franceses foram os últimos a perceber que o Maio dos outros era mais poderoso que o seu. Subterraneamente, o francês estava a declinar como língua franca de tudo, mesmo da revolução. O grafismo vinha de Londres e de Haight-Ashbury, a música de Londres e de Woodstock, a moda de Londres e de São Francisco, os Beatles varriam o mundo e escreviam uma canção chamada Lucy In The Sky With Diamonds:

Imagina-te num barco num rio

Com árvores de tangerina e um céu feito de marmelada

Alguém te chama e tu respondes muito devagar

A rapariga com olhos de caleidoscópio.”

(José Pacheco Pereira, 2008 )

A asserção de Pacheco Pereira não poderia ser mais certeira. Sendo certo que Portugal vivia então sob forte colonialismo cultural gaulês – os nossos exilados escolhiam Paris como local de refúgio, como fizeram Sérgio Godinho, José Mário Branco, Luís Cília e outros – entre muros as energias já pretendiam sacudir a hegemonia francesa.

Há 40 anos, um punhado de jovens estudantes de Direito abraçou a estética da nova contra-cultura pop anglo-saxónica, desapertou as amarras e afoitamente organizou o ciclo de conferências “Popologia – Mitologias Do Mundo Contemporâneo”, num claro desafio aos poderes instituídos e às próprias convicções juvenis muitas delas congeminadas pelo PCP.
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