Arquivos para a Categoria ‘Repressão’

SOBRE O DOSSIER TARRAFAL

26/Outubro/2006

Para comemorar o 70º aniversário da criação do campo do Tarrafal, a editorial do PCP, as Edições Avante!, publicou um Dossier Tarrafal. Nesse volume, sem autoria a não ser a da Editora, o que quer dizer de autoria da direcção do PCP, são incluídos documentos conhecidos como também outros inéditos. Como a publicação de documentos inéditos oriundos dos arquivos do PCP não abunda, foi com muito interesse que li este volume. Infelizmente  confirmei na sua leitura que o PCP não consegue ultrapassar a sua enorme dificuldade em contrariar as versões oficiais da sua história, com fins de legitimação política, e qualquer política de publicação de documentos inéditos acaba por ser muito restritiva para não entrar em contradições com essas mesmas versões oficiais.

É o caso deste volume, aliás feito sem grandes cuidados de rigor, sem notas, e omitindo muita informação de enquadramento que podia valorizar o que de inédito lá se publica. Grande parte do volume é constituído por documentos já conhecidos ou publicamente acessíveis – artigos do Avante! e testemunhos de antigos presos do Tarrafal – a que são acrescentados dois grupos de inéditos: “diários” do Tarrafal escritos por presos não identificados, e peças da correspondência entre a Direcção da Organização Comunista do Tarrafal e a direcção do PCP, representada por Álvaro Cunhal . Sabia-se da existência destes documentos nos arquivos do PCP, como aliás de outros que continuam a ser escondidos, mas o partido não permitia o seu conhecimento á investigação histórica.

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MIGUEL TORGA PRESO NO ALJUBE EM 1939

4/Setembro/2006

Retrato de Miguel Torga

No jornal Público de 3 de Setembro foi publicado um artigo de Artur Pinto, com a colaboração de Margarida Sousa Reis, “Miguel Torga e o Aljube”, sobre a prisão em 1939 do médico e escritor, que a seguir se transcreve:

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IRENE PIMENTEL - ALGUNS DADOS PARA UMA BIOGRAFIA DE ANTÓNIO ROSA CASACO

31/Agosto/2006

Recentemente falecido António Rosa Casaco foi um dos elementos importantes na PIDE/DGS, tendo feito a sua “tarimba” nomeadamente nos serviços de Investigação, onde participou em torturas perpetradas sob os presos políticos, e nos serviços de Informação, onde organizou o importante serviço de intercepção postal. No entanto, Rosa Casaco ficou sobretudo conhecido por ter chefiado a brigada da PIDE que assassinou, em Espanha, em 13 de Fevereiro de 1965, o general Humberto Delgado e a sua secretária, Arajaryr Campos. Divididas em cinco capítulos, estas notas para uma biografia de António Rosa Casaco abordam os seguintes temas:

Currículo de António Rosa Casaco

A investigação por meio de tortura

A intercepção postal

“Especialista” em raptos

O Caso Delgado

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EXTREMA ESQUERDA E PORTE NA POLÍCIA - UMA POLÉMICA

21/Agosto/2006

http://www.oprimeirodejaneiro.pt/up/artigos-bin_imagem_1_jpg_0235223001150746985-353.jpg

 

A recente publicação do livro Conquistadores de Almas de autoria de Pinto de Sá gerou uma discussão que se tem centrado no Público, embora também se tenha verificado nos blogues (numa ocasião posterior farei uma listagem do debate nos blogues). Aqui se reproduzem algumas peças dessa polémica, as que não estão acessíveis em linha.

 

1- José Manuel Fernandes - A abjecção sob a forma de livro de memórias (Público, 13 de Agosto de 2006)

2 - Editora “Guerra e Paz” - Público ataca Conquistadores de Almas (16 de Agosto de 2006)

3- Pinto de Sá - Resposta a José Manuel Fernandes sobre a abjecção em forma de livro (Público , 20 de Agosto de 2006)

4 - José Manuel Fernandes - Os equí­vocos de Pinto de Sá, ou como assumir o passado não implica legitimar o erro (Público, 20 de Agosto de 2006)

5 - Joffre Justino - O “caso” Pinto de Sá

6 - Rui Bebiano - Regresso ao Passado, Terceira Noite

7 - Pinto de Sá - Resposta aos ataques de José Manuel Fernandes a propósito do livro “Conquistadores de Almas”, Conquistadores de Almas

 

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“VOZ DO SILÊNCIO” - FOTOGRAFIAS DAS PRISÕES POLÍTICAS

14/Maio/2006

Voz do Silêncio – Prisões Políticas Portuguesas.

Pide Porto

PIDE Porto

Exposição de fotografias  de Pedro Medeiros, com direcção científica de Manuela Cruzeiro, do Centro de Documentação 25 de Abril , até 15 de Maio nas antigas prisões académicas, no edifício da Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra.

A FOTOGRAFIA QUE FALTOU NO III VOLUME

7/Janeiro/2006

Quando visitei a Penitenciária perguntei se existia uma fotografia aérea actualizada. Disseram-me que,por razões de segurança,não existia e não era possível tirá-la. Agora o Google Earth permite-me colocar a fotografia da "estrela de seis pontas" que faltava.

LIVRO DE PAPEL DE MORTALHA USADO PARA ENVIAR MENSAGENS CLANDESTINAS DA PRISÃO

11/Dezembro/2005

PARA A HISTÓRIA DO 18 DE JANEIRO

6/Fevereiro/2005

MUHERESMGARNDE.jpg

Mulheres dos presos do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande a pedir a libertação dos seus familiares junto do Governo Civil de Leiria.

PAPEL DOS MÉDICOS NAS TORTURAS DA PIDE

12/Abril/2004

O jornal Público de 12/4/2004 publica uma série de textos e depoimentos sobre o papel dos médicos ligados à PIDE nas torturas. Inclui um artigo de António Melo e um depoimento de Urbano Tavares Rodrigues sobre os médicos da PIDE.

Posteriormente, o Público de 17/4/2004 publicou sobre a mesma matéria novos depoimentos de Afonso de Albuquerque e Júlio Lopes Freire .

TORTURAS DA PIDE A MULHERES

3/Abril/2004

Numa nota publicada em 25 de Janeiro de 2004 no Abrupto e nos Estudos sobre o Comunismo, publiquei esta crítica:

Num artigo de hoje do Público São José Almeida escreve o seguinte sobre as torturas utilizadas pela PIDE:

“Os métodos [de tortura] usados passavam, por exemplo, por queimar os presos com cigarros. Era também usual interrogar os presos despidos, sobretudo quando se tratava de mulheres.”

Nenhuma destas coisas é verdade, a não ser excepcionalmente. A PIDE torturava e torturava por sistema, não é isso que está em causa. Mas não utilizava queimaduras que deixavam marcas e muito menos despia as mulheres “usualmente”. Há um ou outro relato , muito raro, de queimaduras de cigarro, e ,a não ser num caso de mulheres presas do Couço em que humilhações directas de carácter sexual foram utilizadas, desconhecem-se testemunhos nesse sentido. A PIDE insultava as “companheiras” de tudo quanto havia, mas não as despia.
Afirmar isto é não compreender de todo os quadros de mentalidade que presidiam ao regime A lei não chegava à PIDE, como os PIDEs se gabavam, mas chegava a mentalidade e a “moral” sexual (ou a falta dela). É completamente inverosímil o que se diz no artigo.”

Esta nota motivou uma reacção indignada de São José Almeida e de outros jornalistas do Público no Glória Fácil, reafirmando a veracidade e o fundamento do que se escrevera no artigo. Entendi nada dizer porque todas as pessoas que conhecem a história da repressão em Portugal sabem do completo infundado das afirmações de São José Almeida e não valia a pena qualquer comentário pelo que era uma manifestação de ignorância solidária.

Agora, no mesmo jornal, Irene Pimentel , que se prepara para terminar o estudo mais completo sobre a PIDE, vem dizer exactamente o mesmo. Há apenas um caso conhecido e nenhuma prática “habitual” como dissera São José Almeida:

Nos anos 60, a ideia da emancipação das mulheres também chega à PIDE e começaram as torturas às mulheres. As do Couço foram as primeiras”, conta Irene Pimentel.. (…) A historiadora apenas tem conhecimento de um caso de tortura sexual a uma mulher. “É um caso conhecido, foi Conceição Matos, que foi submetida à tortura da estátua, estando menstruada, obrigada a despir-se e a limpar-se com a roupa, diante dos agente. Entre eles estava uma mulher, a célebre agente Madalena, que tinha fama de muito violenta com os presos”.

Ficava bem, até pelo tom habitual de arrogância moral que foi usado, que se reconhecesse o erro.