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DEBATE SOBRE O MUSEU DO NEO-REALISMO

7/Julho/2006

museuneorealismo.jpgA Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo e a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira organizaram um debate (em 8 de Julho, no Café Central) sobre as “perspectivas” para o Museu do Neo-Realismo, com Fernando Rosas e José Pacheco Pereira. O debate pretendia discutir a orientação do Museu: “só Centro de Investigação? Como Centro de Investigação que respostas tem de dar ? Só Centro Cultural, com exposições e debates ? Que público ? Só arte do passado, sem arte contemporânea ? Do passado, só Neo-Realismo ? E os Movimentos com quem o Neo-realismo polemizou ? Ou tudo isto, na devida proporção ? Qual o peso de cada uma destas vertentes ?”

Este tipo de discussão tem um interesse particular para o futuro do Museu visto que está prevista para 2007 a inauguração do novo edifício de autoria de Alcino Soutinho, que lhe permitirá condições de armazenamento de arquivos, espólios e biblioteca, assim como de exposições, excepcionais. O Museu é já um dos mais importantes repositórios de documentação, em particular espólios literários, sobre a cultura da oposição ao Estado Novo.

Precedendo o debate foi formalizada uma doação de António Mota Redol ao Museu de um conjunto de 40 obras de pintura e desenho de valor estimado superior a 300.000 euros que faziam parte da colecção de seu pai. Dessa doação, que permitirá ao Museu começar a ter património próprio, faz parte o mais conhecido retrato de Alves Redol feito por Lima de Freitas, um quadro da série da tauromaquia de Júlio Pomar e vários desenhos de Pomar e Manuel Ribeiro de Pavia, entre outros.

PARA UM MUSEU DO SÉCULO XX PORTUGUÊS ( E DA RESISTÊNCIA)

13/Maio/2006

ACTUALIZADO

Após uma sugestão que fiz (artigo em anexo) de centrar na Fortaleza de Peniche um Museu de história do século XX português, com destaque para a resistência ao Estado Novo, o historiador António Costa Pinto secunda essa proposta no Diário de Notícias de hoje (13/5/2006):

 

Eu sei que há sempre coisas mais importantes para comentar, como o "Watergate" francês, o livro de Manuel Maria Carrilho ou as promessas adiadas de investimento estrangeiro em Portugal, mas talvez valesse a pena debater a proposta de José Pacheco Pereira, feita no Público de anteontem, de criar finalmente um núcleo museológico que fixe para a posteridade a memória de alguns aspectos mais sinistros do nosso longo passado autoritário.

Pacheco Pereira retoma uma velha ideia de transformar o Forte de Peniche num monumento de homenagem aos que lutaram e sofreram entre 1926 e 1974. Curio-samente era esta a proposta de uma comissão que associava velhos republicanos e militantes anti-salazaristas como Fernando Piteira Santos, no início dos anos 80, mas a consolidação da democracia portuguesa, muito marcada pela Guerra Fria e pela aliança anticomunista entre os partidos democráticos, após as aventuras revolucionárias do PCP em 1975, não foi ambiente propício a tais alianças simbólicas.

Estes temas da memória histórica vêm sempre ligados a pretextos do presente, como foi o caso da passagem da antiga sede da PIDE a bloco de apartamentos, motivando algumas acções de cidadãos, mas o caso português é interessante, pois, dada a natureza da nossa transição para a democracia, era natural que isso já tivesse sido feito. Em quase todas as transições por ruptura, particularmente aquelas de 1945, isso aconteceu, como em Itália ou em França. O mesmo se tem passado em algumas transições democráticas do Leste da Europa ou na Ásia (Camboja, por exemplo), fixando para o futuro o sombrio passado comunista e dos que sofreram com ele.

A proposta de Pacheco Pereira é tanto mais importante quanto ela provém não apenas da sua condição de historiador mas também de importante figura ideológica de centro-direita, mesmo que singular na área. Com um Governo do Partido Socialista e um Presidente oriundo de um centro-direita cuja matriz fundadora de Sá Carneiro se rebelou contra esse passado autoritário, talvez fosse a altura de aproveitar a proposta. Aproximando-se o centenário da fundação da República, a celebração de alguns dos seus valores, este talvez pudesse ser o legado mais importante que as comemorações poderiam deixar aos portugueses.

 

 

 

ANEXOS:

José Pacheco Pereira - MEMÓRIA, HISTÓRIA E RECUSA

Henrique Sousa - Sobre o artigo do Pacheco Pereira publicado no Público em 11/05/06 acerca da questão da memória

Movimento Cívico “Não Apaguem a Memória!” - Conferência de Imprensa – 24/02/2006 (na Sede da Associação 25 de Abril, em Lisboa) EM DEFESA DA MEMÓRIA SOMOS TODOS ARGUIDOS !

 

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