Arquivos para a Categoria ‘Movimento comunista internacional’

ARQUIVOS DO PC DOS EUA DOADOS À NEW YORK UNIVERSITY

22/Março/2007

Os arquivos do PC dos EUA foram doados à New York University (agradeço as notas enviadas por Eduardo Cintra Torres e Jorge Lobo Mesquita sobre o assunto). Reproduzo a seguir a notícia do New York Times de 20 de Março de 2007 sobre essa doação. de autoria de Patricia Cohen:

The songwriter, labor organizer and folk hero Joe Hill has been the subject of poems, songs, an opera, books and movies. His will, written in verse the night before a Utah firing squad executed him in 1915 and later put to music, became part of the labor movement’s soundtrack. Now the original copy of that penciled will is among the unexpected historical gems unearthed from a vast collection of papers and photographs never before seen publicly that the Communist Party USA has donated to New York University. (…)

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DEBATE SOBRE OS 50 ANOS DO RELATÓRIO KRUTCHEV

5/Novembro/2006

No Museu da República e da Resistência :

Terça_7 de Novembro

21:00_Colóquio «Nos 50 anos do Relatório Krutshev»

Oradores: Carlos Brito, Fernando Rosas e Raimundo Narciso.

Moderado por Paulo Fidalgo

TEXTOS EM PORTUGUÊS NO ARQUIVO MARXISTA NA INTERNET

17/Junho/2006

Nos últimos dois meses foi acrescentada ao Marxist Internet Archive / Arquivo Marxista na Internet uma série de textos de Staline, Mao Zedong e de comunistas brasileiros. Os textos estão em português do Brasil. Entre os textos disponíveis encontra-se o relatório de Luiz Carlos Prestes, A Situação Política e a Luta por um Governo Nacionalista e Democrático de Janeiro de 1959 e documentos das experiências de guerrilha maoista do Araguaia.

 

Lista dos novos textos em linha:

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VIDAS PARALELAS DO COMUNISMO EUROPEU: CUNHAL E TOGLIATTI

17/Maio/2006

MORTE DA COMUNISTA CHILENA GLADYS MARÍN

9/Março/2005

gladys marin.jpgA morte da comunista chilena Gladys Marín, em 6 de Março de 2005, é evocada por uma biografia panegírica e por uma selecção dos seus textos , aqui. Outra documentação inclui o comunicado oficial do PC do Chile e um artigo de recordação pessoal da sua acção .

A biografia do Mundo Posible reproduz-se em seguida:
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TESE SOBRE O DIRIGENTE DO PCF CLAUDE POPEREN EM LINHA

12/Maio/2004

Está em linha no Centre d’Histoire Sociale du XXème Siècle , a “mémoire de maîtrise” de Aude Marécaille sobre o dirigente do PCF Claude Poperen, intitulada : De l’engagement au détachement : itinéraire d’un dirigeant communiste, Claude Poperen.

Publica-se a seguir o seu índice:
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PRESENÇA DE THAELMANN NO PCP

21/Fevereiro/2004
Em 1936, o PCP distribui um panfleto aos marinheiros do cruzador “Emdem” na sua passagem por Lisboa , a favor de Thaelmann. Existem, para além de vários artigos de imprensa, dois documentos com referência explícita a Thaelmann,

Amnistia para Thaelmann! , targeta, sl., sd.

O Homem comunista nos degredos nazis / Thaelmann o indomável, Janeiro 1944

Existem igualmente dois jornais (de que terão saído apenas um número de cada) que têm como título o nome do dirigente do PC Alemão

thaelmann.jpg

jornal manuscrito dos presos de Peniche, “número especial e único” de Março de 1936, e

thaelmann2.jpg

“Orgão da Células nº 1( difícil leitura dada a deterioração do original) do PCP e da FJCP”, de 1934 (?)

MOVIMENTO COMUNISTA INTERNACIONAL - Morte de Noreen Branson

13/Novembro/2003
No Guardian de 19 de Novembro de 2003, foi publicada uma necrologia biográfica de Noreen Branson. Branson foi uma activista do PC da Grã Bretanha (PCGB), correio do Comintern e historiadora da esquerda e do movimento comunista. É autora de uma história do PCGB, que continua a obra de James Klugmann:

Noreen Branson, History of the Communist Party of Great Britain, 1- 1927-1941 ; 2- 1941-1951, Lawrence and Wishart, 1985 e 1988.

ÍNDICE DE LE SIECLE DES COMMUNISMES 

5/Novembro/2003

LE SIECLE DES COMMUNISMES - SOMMAIRE

Introduction générale : Bernard Pudal, Michel Dreyfus, Bruno Groppo, Claudio Sergio Ingerflom, Roland Lew, Claude Pennetier, Serge Wolikow.

Première partie : Les interprétations des communismes
dirigée par Bruno Groppo et Bernard Pudal

Introduction
Une réalité multiple et controversée, Bruno Groppo et Bernard Pudal

Chapitre 1
Totalitarisme et stalinisme, Brigitte Studer (Université de Berne)

Chapitre 2
Les interprétations françaises du système soviétique, Sabine Dullin

Chapitre 3
Historiographies des communismes italiens et français, Bruno Groppo et Bernard Pudal

Chapitre 4
Les interprétations du mouvement communiste international, Serge Wolikow

Seconde partie : Les grandes phases de l’histoire des communismes
dirigée par Roland Lew et Michel Dreyfus

Introduction
Au cœur du siècle, Roland Lew et Michel Dreyfus

Chapitre 5
Les conséquences de la Grande Guerre sur le mouvement socialiste, Michel Dreyfus

A. 1914-1944
Les communismes d’une guerre à l’autre

Chapitre 6
De la Russie à l’URSS, sous la coordination de Claudio Sergio Ingerflom

Introduction
Claudio Sergio Ingerflom

La question de la violence, Peter Holquist (Cornell University-USA)
Le Parti, Gabor T. Rittersporn
La terreur, Gabor T. Rittersporn
La démographie, Alain Blum
Les paysans de 1917 à nos jours, Lynne Viola (USA)
Les ouvriers et les communistes entre 1917 et 1939, Lewis Sigelbaum
Les ouvriers et les communistes durant la Seconde Guerre mondiale et l’après - guerre,
Dan Filzer (University of East London)
Les femmes dans la société soviétique, Wendy Goldman (Grande- Bretagne)

Chapitre 7
Aux origines de la galaxie communiste : l’Internationale, Serge Wolikow

B. 1944-1956-1968
Le communisme comme système

Chapitre 8
L’expansion européenne d’après-guerre, Serge Wolikow

Chapitre 9
Le communisme chinois, Roland Lew

Chapitre 10
Libération nationale et communisme dans le monde arabe, René Gallissot

Chapitre 11
Libération nationale et communisme en Asie du Sud- Est, Pierre Brocheux

C. 1956-1968-1989
Les communismes en crise

Chapitre 12
Les partis communistes italiens et français, Michel Dreyfus et Bruno Groppo

Chapitre 13
A l’Est, tentatives de réforme, échec, effondrement, Antony Todorov (Université de Sofia)

Chapitre 14
En Chine : démaoisation et réforme, Roland Lew

Troisième partie : Une Internationale, des partis et des hommes
dirigée par Claude Pennetier et Bernard Pudal

Introduction
Une Internationale, des partis et des hommes, Claude Pennetier et Bernard Pudal

A. L’invention de l’homme communiste

Chapitre 15
Du parti bolchevique au parti stalinien, Claude Pennetier et Bernard Pudal

Chapitre 16
Internationalistes et internationalismes communistes, Serge Wolikow

Chapitre 17
La politique d’encadrement : l’exemple français, Claude Pennetier et Bernard Pudal

Chapitre 18
Stalinisme, culte ouvrier et culte des dirigeants, Claude Pennetier et Bernard Pudal

Chapitre 19
” La femme nouvelle “, Brigitte Studer (Université de Berne)

B. Identités sociales et trajectoires militantes

Chapitre 20
Les paysans communistes, Jean Vigreux

Chapitre 21
Les intellectuels et le parti : le cas français, Frédérique Matonti

Chapitre 22
La figure de l’émigré politique, Bruno Groppo

Chapitre 23
Brigadistes internationaux et résistants, Rémi Skoutelsky

Chapitre 24
Figures du communisme latino - américain, Michaël Lowy

Chapitre 25
Syndicalistes communistes, Michel Dreyfus

Quatrième partie : Trois enjeux en débat
dirigée par Serge Wolikow

Introduction
Serge Wolikow

Chapitre 26
Communisme et violence, Michel Dreyfus et Roland Lew

Chapitre 27
Fascismes, antifascismes et communismes, Bruno Groppo

Chapitre 28
Politisations ouvrières et communisme, Bernard Pudal

Index des noms

João Tunes - JACQUES, O FRANCÊS

31/Outubro/2003
Terminei recentemente a leitura dos três livros editados pela le cherche midi (colletion Documents), relacionados com a vida de Jacques Rossi. Os livros chamam-se Le Manuel du Goulag (1997), Qu’elle était belle cette utopie (2000) e Jacques le Français (2002) e tiveram efeitos de choque que permaneceram desde a primeira à última linha.

Jacques Rossi é uma personagem real e peculiar. Franco-polaco, filho de pais franceses, nascido em França em 1909, foi levado de tenra idade para a Polónia onde viveu com a mãe e um padrasto polaco que o perfilhou e foi educado numa casa senhorial pois o padrasto era um aristocrata latifundiário. Estudante universitário, aos 17 anos aderiu ao Partido Comunista Polaco, então na clandestinidade, acabando por ser preso pela polícia do ditador Pilsudski.

Jacques consegue fugir para a Checoslováquia e inicia uma carreira de militante comunista internacionalista. É recrutado para trabalhar nos serviços de informação do Komintern e inicia uma carreira que iria durar 10 anos de agente secreto com a tarefa de servir de correio de mensagens secretas em todo o mundo, sempre sob falsas identidades. Enquanto agente secreto, Jacques obtém vários diplomas universitários com identidades que lhe são alheias (em belas artes e civilizações orientais), torna-se poliglota (domina francês, inglês, alemão, polaco, russo, espanhol, italiano, persa e outras línguas orientais) e desempenha múltiplos papéis de disfarce. Em dado momento, apercebe-se que foi transferido (sem disso ter sido formalmente informado) dos serviços de informação do Komintern para o GRU (serviços secretos do Exército Vermelho) mas isso em nada o afecta pois a causa era a mesma.

Em 1937, em plena guerra civil espanhola, é enviado para a zona franquista (Valladolid) onde, sob o disfarce de diplomata nicaraguense, obtém informações sobre as actividades franquistas que a sua camarada Julita (de quem desconhece a identidade mas supõe tratar-se de uma austríaca devido ao sotaque com que fala o alemão) e sua esposa segundo o disfarce, transmite por rádio para os serviços secretos soviéticos instalados no lado republicano.

Num certo dia do final de 1937, chega uma mensagem rádio da Central ordenando a apresentação imediata de Jacques em Moscovo para desempenho de nova tarefa. ¿Julita¿ tenta dissuadir Jacques de viajar para Moscovo (em 1936 havia começado a Grande Purga) mas este, disciplinado militante revolucionário, cumpre a ordem e segue de imediato para a Capital do Comunismo.

Chegado a Moscovo, pleno das energias próprias dos 28 anos de idade, Jacques apresenta-se no seu serviço disposto a cumprir nova missão e novas odisseias clandestinas. Estranha o tratamento frio dos camaradas que o atendem e mais ainda o facto de lhe dizerem que o seu chefe (um comunista polaco chamado Kraietski) já não estava ao serviço (saberia mais tarde que havia sido preso e fuzilado).

Decorrem os dias e as semanas, vão-lhe indicando vários sítios para habitar e continua sem resposta quanto ao seu destino. Um dia, é finalmente recebido pelo substituto de Kraietski que acusa o seu antecessor de ser um traidor e um espião e indica a Jacques que deve acompanhar um tal camarada Ivan que o levará para o local de treino da sua nova missão. A viagem de automóvel com o camarada Ivan termina dentro da prisão de Loubianka de onde transitará para a prisão de Boutirka. Jacques espera calmamente saber de que é acusado para, como julga inevitável, desfazer o mal entendido. Para ele, o pior é então ter de partilhar as celas a abarrotar com tantos inimigos do povo.

Ao fim de nove meses de prisão, Jacques é finalmente levado à presença de um comissário-interrogador (esta figura estava integrada na estrutura policial e não de qualquer elo do aparelho judiciário). O comissário começa por propor a Jacques que indique qual o crime que cometeu. Este diz que não cometeu qualquer crime. O comissário indica-lhe que ele é acusado de ser um espião franco-polaco e tudo tem a ganhar em confessar as suas actividades de espionagem. Jacques reitera a sua inocência e segue-se um calvário de várias semanas em que apelos à confissão são entremeados com sessões de tortura de estátua e de sono (algumas durando uma semana) e de espancamentos.

Em 7 de Abril de 1939 (dezasseis meses após o início da sua prisão preventiva), Jacques é informado que tinha sido condenado pela OSSO (órgão não judiciário e pertencente à Segurança do Estado) - sem que estivesse presente durante a sessão de julgamento - a oito anos de trabalhos forçados no Gulag.

Jacques inicia a via sacra do internamento para trabalho de reeducação em vários campos de concentração na Sibéria e acima do Círculo Polar Ártico onde vai executando diversos trabalhos penosos sob miseráveis condições de alojamento e de alimentação e em condições climatéricas terríveis.

No final de 1945, chegou ao fim a pena que lhe havia sido aplicada pela OSSO. É-lhe então aplicada a circular nº 224 que permite o prolongamento de encarceramento até disposição especial.

Em 1947, é solto do campo de Norilsk mas obrigado a viver nesta cidade e apresentar-se regularmente nas instalações policiais. Jacques contacta várias Embaixadas a fim de obter visto que lhe permita sair da União Soviética. As suas cartas para as Embaixadas são interceptadas pela polícia, é preso de novo e condenado a mais vinte e cinco anos de trabalhos no Gulag.

Feitas as contas, Jacques deveria ser libertado apenas em 1972. Ou seja, preso aos 28 anos, Jacques voltaria à liberdade apenas quando contasse com 63 anos de idade!

Mas, em 1956 e na sequência do XX Congresso do PCUS, com 48 anos de idade, Jacques é libertado e é-lhe passado um certificado onde consta a sua reabilitação e isento de ter cometido qualquer crime ou falta para com a União Soviética. Para trás, ficavam 20 anos de reclusão por uma falsa acusação. E pela frente? A liberdade? Mais devagar, apesar do XX Congresso¿ Onde viver? No estrangeiro, nem pensar. Negativo. Nas principais cidades soviéticas, isso é que era bom. Negativo. Acabou por lhe ser fixada residência em Samarkand no extremo oriental da União Soviética!

Jacques não desiste de ir para o estrangeiro. Goradas todas as tentativas para lhe ser autorizado o regresso à sua Pátria (França), Jacques explora a hipótese de obter visto para voltar à Polónia de que fugira das prisões de Pilsudski com 18 anos de idade, agora uma democracia popular sob controlo soviético.

Em 1961, com 52 anos de idade, Jacques consegue sair da União Soviética e ir para a Polónia (onde foi reintegrado no Partido Comunista e nomeado membro do seu Comité Central) . Aí vive até 1985, ano em que se fixa em França e readquire a nacionalidade francesa. Até 2002, ano em que perfez a idade de 93 anos e a saúde lhe permitiu, Jacques dedicou-se a escrever as suas memórias e vários depoimentos e relatos, além de correr o mundo a dar conferências a relatar a sua experiência gulagiana.

Nas suas memórias e crónicas, Jacques faz relatos vivos e impressivos sobre a tragédia que representou a monstruosidade do Gulag e que destruiu a vida de milhões de seres humanos. E, no Gulag, pereceram (uns fisicamente, outros ficaram para sempre afectados pelo sofrimento psíquico devido a longos e duros anos de cativeiro) homens e mulheres pela simples razão de pertencerem à classe errada (a classe social que o sistema bolchevique queria destruir), a nacionalidades e etnias suspeitas de infidelidade ao sistema soviética. Ou, então, serem fiéis militantes comunistas apanhados na contabilidade das quotas dos inimigos internos a abater (na sua maior parte, bolcheviques da primeira hora e companheiros de Lenine), bem como os que tinham a má sina de serem casadas com ¿inimigos do povo¿ ou seus filhos, aqueles que tinham dificuldades na integração na disciplina e estrutura de funcionamento totalitário do sistema até aos muitos milhares de vítimas naives que eram encarceradas por razões pueris ou derivadas da estupidez burocrática de polícias todos poderosos e que tentava fazer do aumento do número de prisioneiros a demonstração da sua fé comunista e evitar que lhes calhasse a vez de serem fuzilados ou penarem no Gulag. Jacques, através dos seus relatos, dá-nos conta da monstruosidade do seu sofrimento mas traz também para a boca de cena outros (muitos) prisioneiros que foi encontrando e as suas histórias cruéis.

Para quem pertence a uma geração politizada no escalpe do horror do Holocausto e da máquina nazi de destruição e em que o Nazi-Fascismo incarnou o Mal Absoluto (papel agora transferido para a Globalização e para a América Imperial) e que gerou o paradigma do Antifascismo (e do Anti-imperialismo), segundo o qual denunciar os soviéticos (ou, hoje, denunciar a ditadura castrista) seria (é) uma forma de fazer o jogo dos fascistas, dos imperialistas e dos capitalistas, é preciso estômago e coragem para olhar o Gulag de frente devido à muita vergonha acumulada pelos silêncios em que se virou o olhar e se calou a repugnância e a denúncia.

(Transcrito, com autorização do autor, de Botaacima)